Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/11/2019

A série “13 Porquês”, disponível pela Netflix, narra o drama de uma estudante, Hannah Baker, estuprada por um colega de classe, que comete suicídio em razão da violência sofrida no cenário escolar. Fato análogo pode ser observado na sociedade brasileira atual, permeada pelo alto índice de jovens que dão fim à vida, principalmente por não se sentirem bem consigo mesmo e pelo bullying sofrido pela sociedade. Esse processo é fruto de uma cultura de produtividade, responsável pela alta carga de estresse e pressão entre esse público.

Em primeira análise, no século XVIII , um poeta e escritor alemão chamado Johann Wolfgang Goethe, consolidou a escola romântica, marcada pelo sofrimento excessivo, com a publicação do livro “Os sofrimentos do jovem Werther”. Assim, a obra se trata de um romance trágico, no qual o casal não pode ficar junto e o protagonista comete suicídio. Dessa forma, foi grande o número de suicídios relacionado à leitura do romance de Goethe, tornando-se rapidamente uma obra maldita para a Igreja. Logo, na psicanálise criou-se um termo chamado Efeito Werther, em referência ao personagem e caracterizado por sua fenomenologia suicida. Ainda mais, esse comportamento adquire maior influência quando se tratando de celebridades ou figuras públicas, como na Marilyn Monroe e o músico Kurt Cobain.

Em segunda análise, outra livro intitulado “Homens Imprudentemente Poéticos”, de Valter Hugo Mãe é passado em um uma aldeia ao sopé do Monte Fuji, próxima à região conhecida como Floresta dos Suicidas, essa floresta realmente existe e é palco de várias histórias de terror. Entretanto, a obra não pode ser considerado uma obra de suspense ou terror. Isso acontece porque Valter aborda a morte e o suicídio numa visão que se aproxima daquela empregada pelos japoneses. Segundo o autor, no Japão, “um suicida não é visto como um fraco ou desistente, é visto como alguém que entendeu sua existência e se sente preparado para se entregar à natureza”.

Portanto, a fim de combater o suicídio entre os jovens, medidas devem ser imediatamente tomadas por órgãos públicos. Desse modo, escolas públicas e particulares, em nível fundamental e médio, devem reservar espaços destinados ao combate e à prevenção de doenças mentais. A mídia, por sua vez, é responsável por provocar uma reflexão coletiva sobre as causas de suicídio; isso poderia ser feito por meio de depoimentos de famílias afetadas por membros que se suicidaram, ressaltando a importância da vida. Dessa maneira, a produtividade tóxica não seria naturalizada, e as causas do suicídio entre os jovens seriam minimizadas.