Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 01/11/2019
Segundo o conceito de “Banalidade do Mal”, da filósofa alemã Hannah Arendt, o mal torna-se ago banal quando é admitido, acima da ética, pela sociedade na qual está inserido. Nessa perspectiva, ao se analisar a questão do aumento do suicídio entre jovens, percebe-se que o pensamento de Hannah está intrinsecamente ligado aos problemas do século XXI. Esse cenário contemporâneo é fruto tanto do da falta de políticas públicas eficientes, quanto da falta de entendimento da população. Diante disso torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de despertar a justiça ética social.
Antes de tudo, é fulcral pontuar que o aumento do suicídio de jovens deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o Atlas da Violência 2019, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, houve um aumento de quase 13% das taxas de morte por suicídio de 2002 a 2018, na faixa de 15 aos 19 anos. Em consequência disso, há uma crescente onda de encorajamento ao autocídio, por exemplo, o jogo Baleia Azul, no qual foi criado com intuito de fazer o jogador tirar a própria vida na fase final. Desse modo, é necessário que o Estado atue de forma urgente na resolução do problema.
Ademais, é imperativo ressaltar a falta de conhecimento sobre o assunto como impulsionador do problema. De acordo com uma pesquisa publicada no portal de notícias G1, 72,6% da população acha que o suicídio acontece apenas com pessoas que sofrem transtornos psicológicos graves. Com base nisso, a falta de conscientização sobre os motivos que levam ao autocídio corroboram com o crescente aumento dos casos de morte relacionado ao problema citado, pois familiares e amigos -principais ferramentas para inibir essa atitude desesperada- não sabem que a origem do problema está no início de uma depressão ou em um desapontamento com a vida, que pode evoluir ao autocídio, se não houver a ajuda de pessoas próximas. Por certo, essa atitude contribui para esse quadro deletério.
Portanto, é possível defender que impasses políticos e sociais constituem desafios a se superar. Dessarte, necessita-se, urgentemente, que o Poder Legislativo, em parceria com o Ministério da Saúde, proporcione a criação de leis, a serem aprovadas pelo Senado, que obriguem as escolas a iniciarem trabalhos de acompanhamento dos jovens alunos, por meio de psicólogos, que realizem palestras e pesquisas, com intuito de encontrar alunos que sofram com problemas que possam leva-lo a cometer o suicídio. Esses trabalhos poderão ser feitos individualmente ou acompanhado dos pais, com jovens que apresentarem depressões ou doenças relacionadas. Dessa maneira, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do suicídio e a contornará a Banalidade do Mal proposta por Arendt.