Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 23/05/2020

No filme “O vendedor de sonhos”, o psicólogo Júlio César, frustrado com o relacionamento que tinha com o filho, tentou o suicídio, mas desistiu graças as palavras de ânimo proferidas por um homem conhecido como “Mestre.” Fora da ficção, a realidade encontrada é bastante similar, principalmente entre os jovens. Segundo a OMS, o suicídio é a segunda causa de mortes entre jovens de 15 a 24 anos. Torna-se importante ressaltar que comparações irreais construídas pelo uso contínuo das redes sociais e os estilos educativos adotados por algumas famílias são dois dos principais fatores que intensificam esse cenário.

Primeiramente, é necessário analisar que o público em questão possui um contato ilimitado com as mídias sociais. Segundo a psiquiatra da USP, Alexandrina Meleiro, as redes fazem com que as pessoas se comparem o tempo todo com retratos de vidas fantásticas daqueles que criam um espaço exclusivo de promoção de suas maiores conquistas. Nesse contexto, jovens aflitos, que enfrentam dificuldades para superar problemas pessoais, são mais suscetíveis a se nivelarem, e sentem-se humilhados e inferiorizados por quem aparenta ter mais sucesso. Isto é, são mais facilmente influenciados por padrões de comportamento, o que é extremamente prejudicial à saúde mental.

No que tange as privações emocionais para lidar com frustrações, os estilos educativos parentais são subsídios relevantes na definição do perfil psicológico de um adolescente. Pais com estilo autoritário avaliam e moldam a conduta dos filhos de forma radical. Por perceber que seu filho não se tornou quem o que ele idealizou, o psicólogo Júlio César, de “O vendedor de sonhos” encontrava-se muito desanimado. Enquanto esses pais insistem em puni-los pelas defasagens, deixam de estimular a autonomia e uma comunicação baseada no afeto. Quando adolescentes, os filhos, perante situações desafiadores e estressantes, sentem - se solitários e optam por sacrificar a própria vida.

Infere-se, portanto, que, viabilizar os meios de elevar a autoestima e a independência dos jovens diminuirá as taxas de suicídio entre eles. Os influenciadores digitais devem usufruir da grande adesão de seguidores para promoverem vídeos que tratem sobre saúde mental, buscando a participação de profissionais de saúde que levem informações responsáveis com o fito de que seus seguidores também sintam-se pessoas de sucesso. Além disso, os pais devem programar um tempo diário para dialogar com os filhos para auxiliá-los sempre em suas dificuldades. Por fim, o Governo Federal precisa investir em psicoeducação nas escolas públicas, permitindo a abertura de cargos para psicólogos, que venham a mediar dinâmicas entre pais e filhos, para que estes aprendem a tratar sobre sentimentos e emoções. Uma conversa franca e compreensiva incitará o uso de vírgulas, e nunca de um ponto final.