Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/06/2020

O realismo europeu do século XIX foi inaugurado com a obra “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert, contando a história de uma mulher que, afundada em dívidas e desiludida pelo seu grande amor, encontrou na morte a solução para reprimir suas agonias. Atualmente, histórias como a da personagem criada por Flaubert, aproximam-se da realidade brasileira por uma série de suicídios juvenis. Nesse contexto, condutas suicidas são vistas pelos jovens como meios de se libertarem de transtornos pessoais e socioculturais, que estão, em sua maioria, atrelados ao convívio familiar e escolar.

Segundo Freud, criador da psicánalise, a família constitui-se como uma complexa teia de vínculos e emoções - se por um lado forma e protege, por outro cobra e pressiona. O indivíduo, sobretudo cresce, moldando-se às imposições de padrões sociais, culturais, econômicos e comportamentais. Sob o mesmo ponto de vista enquadra-se a escola, responsável não só pela formação acadêmica, como também pessoal de cada aluno, que, entretanto, cria um ambiente de competição, bullying e apatia. De modo a exemplificar esse cenário, a série americana “Os treze porquês” relata o suicídio de uma aluna após inúmeras falhas culminantes, provocadas por indivíduos dentro de sua escola e que passam despercebidos por pais e superiores, reforçando como a visão acerca desse assunto é limitada e os sofrimentos dos jovens são menosprezados.

Contudo, assim como afirma o psiquiatra Augusto Cury, quem comete atos suicidas não quer matar a vida, mas sim a sua dor. Isso significa que, inúmeros são os estímulos que levam a tal ato, como por exemplo, os transtornos mentais. Em um artigo publicado pelo jornal brasileiro “Estadão”, do estado de São Paulo, estima-se que 90% das pessoas que tiram a própria vida tenham depressão e bipolaridade e, também, tenham dificuldade de aceitação ou passaram por certo tipo de abuso sexual. A busca pela identidade nem sempre atingida pode levá-los a uma sensação de estar sem saída, encontrando na morte a solução de seus problemas.

É válido, então, destacar que, em virtude dos argumentos apresentados, o problema é um fato real que exige atenção e atitude de todos. A família detém o dever de desenvolver relações afetivas a partir do diálogo e tolerância, a fim de passar segurança e confiança ao jovem. Simultaneamente, o Ministério da Educação e da Saúde, gerando companhas e rodas de conversa para desgastar os medos e problemas de cada aluno, e oferecendo profissionais capacitados a ouvi-los e prestar auxílio, poderão evitar, assim, mais histórias como a de Fleubert.