Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 28/02/2020

“Ser ou não Ser?”, pergunta feita por Hamlet, personagem de Shakespeare, ainda no século XVI, reflete suas dúvidas sobre aceitar a existência com sua dor inerente ou acabar com a vida. Assim, observa-se que os questionamentos sobre vida e morte ecoam ao longo de toda história da humanidade. contudo, a temática do suicídio ainda é rodeada de tabus que dificultam seu entendimento e prevenção entre os jovens.

Em primeiro lugar, faz-se importante destacar que, de acordo com o Mapa da violência de 2017, é cada vez maior o número de jovens que escolheram “não Ser”, ou seja, que optam pela morte autoprovocada. Exemplo disso foi observado, no ano de 2017, com a popularização do jogo Baleia Azul, que estimulava os jovens a cometerem suicídio. Dessa forma, o tabu com o qual o assunto estava envolvido potencializou o número de vítimas, demonstrando a vulnerabilidade desse público. Consoante a isso, o sociólogo Durkheim lembra que o suicídio deve ser considerado como fenômeno social e coletivo, e não como fato individual e psicológico. Logo, a decisão está cercada pelas vivências sociais e familiares que causam sofrimento, e por isso os tabus precisam ser quebrados para que a prevenção aconteça.

Ademais, é fato de que o suicídio também está associado a doenças psíquicas, mais especificamente, à depressão e à ansiedade generalizada. Essas doenças podem ser agravantes nos casos de suicídio e estão diretamente relacionadas à forma de viver do homem moderno, que é marcada pelo uso excessivo de tecnologia. Com isso, surge uma geração que busca corresponder às cobranças das redes sociais e acredita que momentos de tristeza devem ser evitados e considerados desajustes. Como lembra Zygmunt Bauman, a subjetividade contemporânea concentra todos os seus esforços em tornar-se uma mercadoria vendável. Sendo assim, nas redes sociais não há espaço para fracasso e tristeza, ambos inevitáveis à condição humana e os que assim o sentem encontram no suicídio uma solução.

Infere-se, portanto, que a questão do suicídio entre os jovens é um complexo desafio que precisa ser prevenido. Para isso, o Governo, por meio dos Ministérios da Saúde e Educação, podem utilizar o Programa Saúde na Escola para promover palestras e rodas de conversas com os alunos, familiares e profissionais dentro do ambiente escolar, objetivando quebrar os tabus que envolvem o assunto, bem como acolher os jovens vulneráveis. Além disso, as redes sociais podem ser utilizadas para propagar informações, uma vez que possuem ampla utilização por parte desse público. Assim será possível reduzir os casos de mortes autoprovocadas.