Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 14/03/2020

Em “Um Grito de Socorro” — obra cinematográfica neerlandesa — é retratado o cotidiano de Jochem, um estudante que é atormentado constantemente pelo bullying, o que o faz, em uma medida desesperada, tirar a própria vida. Concomitante a isso, percebe-se que os casos de suicídio entre os adolescentes brasileiros têm ocorrido com certa constância, mesmo com medidas preventivas já existentes, o que demanda urgentemente ações governamentais. Ademais, para que haja uma reversão do quadro, faz-se necessário analisar seus agravantes, como o isolamento social e transtornos psicológicos, que contribuem para a continuidade da problemática em território nacional.

Antes de tudo, é imprescindível destacar o isolamento social como questão de saúde pública. No ano de 2000, o psiquiatra Tamaki Saito desenvolveu o termo “hikikomori” — que significa “estar confinado” — para designar pessoas que vivem reclusas socialmente, seja por pressões sociais, bullying ou até pelo medo de deixar seu ambiente de segurança por considerar o mundo um lugar hostil. Logo, constata-se que a reclusão social pode acarretar numerosos danos físicos e psicológicos ao cidadão e, inclusive, levá-lo ao suicídio, o que exige intervenções estatais imediatas.

Outrossim, é imperioso expor a depressão como um dos transtornos psicológicos mais funestos do ocorrido em pauta. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 322 milhões de pessoas no mundo são afetadas pela doença, e cerca de 800 mil, entre 15 e 24 anos, morrem anualmente devido ao suicídio. Além disso, a inércia governamental perante a causa, somada a estigmas sociais, só compactua para que os exorbitantes números prossigam em pleno crescimento, a permitir que as vidas de inúmeros indivíduos sejam extinguidas por pura desatenção.

Diante dos argumentos supracitados, urge que o estado tome providências para amenizar a atual situação. Portanto, em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), deve-se elaborar, mediante verbas governamentais, campanhas publicitárias que ratifiquem a importância do diálogo familiar e da disponibilidade diária e gratuita da mencionada ONG; e projetos no âmbito escolar, por meio de palestras, a dispor do suporte de especialistas educacionais e psicólogos abertos ao diálogo, com o propósito de informar e haver a quebra de tabus sobre reclusão social e transtornos psicológicos, como a depressão. Dessarte, suceder-se-á a prevenção dos casos de depressão e suicídio que persistem no país, evitando-se que jovens como Jochem percam suas vidas por pura desinformação por parte do corpo social.