Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 21/04/2020

De acordo com o médico psiquiatra, Augusto Cury, a depressão é o último estágio da dor humana. Sendo assim, precisa ser um assunto mais debatido, a fim de trazer esclarecimento para todo o tecido social. Pois, o índice de mortes por suicídio no Brasil tem aumentado, consoante a Organização Mundial da Saúde. Isso ocorre devido à falta de diálogo e empatia, como também na incapacidade das pessoas que convivem levarem a sério as alterações emocionais nas pessoas.

Em primeira instância, é importante ressaltar que após as Revoluções Industriais no século XVIII e a corrida capitalista, em busca do aumento capital, as pessoas passaram a ser mais individualista. Por conseguinte, as necessidades dos outros não comovem, como dizia Eli Pariser, as pessoas vivem em suas bolhas. Dessa forma, os indivíduos se fecham em seu mundo e possuem dificuldades de conversar, expor seus medos e dores. Logo, surgem sintomas de ansiedade, depressão e até mesmo suicídio. Ademais, em meio a essa falta de tempo e correria pelo ter, muitos pais não dialogam tanto com os filhos, e deixam apenas para a escola o papel de educá-los. Assim, são formados jovens incapazes de lidar com as adversidades e retraídos no diálogo.

Outrossim, convém relacionar ainda que antes de um ser humano mutilar o seu corpo, há demonstrações emocionais de que algo não está bem. Porém, as pessoas ao redor não compreendem e muitas das vezes acham normal. As consequências disso são irreversíveis. Exemplo disso foi o fato ocorrido no Realengo, Rio de Janeiro, em 2011, segundo o jornal O Globo, um ex-aluno que sofria bullying entra na escola e mata 12 pessoas, inclusive tira sua própria vida. Nesse viés, percebe que o jovem não havia sido curado dos seus traumas, e infelizmente, toda a comunidade sofre com isso.

Fica claro, portanto, a necessidade de ações para a reversão desse cenário. Cabe ao Ministério da Educação em consonância com as escolas inserirem disciplinas de saúde mental e consultas com psicopedagogos e psicólogos, a fim de ensinar aos discentes a gerirem suas emoções, para serem autores e não coadjuvantes das suas histórias; além de fornecer palestras e debates com alunos e familiares, com o objetivo de aproximá-los e mostrar a importância de tirarem tempo para conversar, compartilhar experiências, sucessos e fracassos. Assim, as alterações emocionais serão percebidas cedo e situações como o suicídio podem ser evitadas.