Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 01/05/2020
A segunda geração do romantismo é dita como ‘‘o mal do século’’e ganhou essa expressão pela acentuada onda de suicídios e pessimismo que ocorreu nessa época. Entretanto, mesmo depois de séculos, tal expressão voltou a ser utilizada no século XXI devido o mundo encarar novamente tal enfermidade. No contexto brasileiro, esse problema ganhou destaque nos índices mundiais entre os jovens brasileiros, ao ser o país com maior prevalência em casos de suicídios da America Latina entre a faixa etária de 15 a 29 anos, segundo os dados da OMS. Isso ocorre, ora pela falta do tratamento precoce, ora dos fenômenos sociais negativos frutos da internet.
Primeiramente, é importante destacar que a maioria dos casos de suicídio estão relacionados aos quadros avançados de depressão entre os jovens, influenciados, principalmente, pela falta do tratamento prévio. Segundo os dados da OMS, nove de cada dez suicídios poderiam ser evitados caso houvesse o tratamento precoce da depressão. Nesse contexto, existem entraves que impedem tal procedimento, como a falta do conhecimento dos responsáveis e do próprio indivíduo para identificação de sintomas iniciais de depressão, por se tratar de um assunto pouco debatido em rede nacional, o que gera um preconceito dos sinais e a impede de busca pelo tratamento. Diante disso, é clara a urgência para resolver tais impasses, pois o tratamento precoce é o primeiro passo para reverter a situação.
Outrossim, ainda é válido ressaltar que fenômenos sociais hodiernos no mundo globalizado têm o poder de alcançar a maioria dos jovens e adolescente do mundo pelas redes de internet. Diante disso, o cyberbullying, linchamento virtual, formas de denegrir a imagem de uma pessoa têm o maior poder de alcance. Nesse aspecto, esses fenômenos podem não só agravar o estado depressivo de uma pessoa, como ser a culpa de um suicídio, como no caso de Ammy Everett, modelo autraliana, que aos 14 anos cometeu suicídio por sofrer bullyng virtual em 2018. Dessa forma, já pensava Immanuel Kant, filósofo alemão, sobre tal forma de tratar um semelhante: a inumanidade que causa a um outro destrói a humanidade em mim.
Em suma, para conter a problemática, é necessário que o Estado intervenha. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de rede nacional, promover uma ampla discussão semanal sobre a depressão e o suicídio, com foco em meios de identificar os sintomas e de como agir em casos depressivos. Espera-se, com isso, o maior apoio aos jovens ao quebrar a ignorância por combater o sigilo desse assunto, pois só por meio de debates e discussões haverá o rompimento, além do apoio presente da família ao indivíduo. Feito isso, o ’’ Mal do século’’ será devidamente combatido e gradualmente extinto.