Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 12/05/2020
As altas taxas de suicídio entre jovens no Brasil, trazem à tona uma realidade que na maioria das vezes torna-se imperceptível na sociedade. Atualmente o ato de tirar a própria vida tem se tornado recorrente entre os jovens, na medida em que o crescente individualismo contribui para a degradação da saúde mental. Logo, faz-se necessário pensar em alternativas que contribuam para a prevenção dessa realidade.
De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, autor da obra “Modernidade Líquida”, salienta características como individualismo, a fluidez e a efemeridade das relações do mundo atual, que corroboram para o desenvolvimento de doenças psíquicas como a depressão e a ansiedade. Hodiernamente, esses fatores contribuem para a disposição de isolamento social, que em certos casos ocasionam distúrbios mentais devido a desilusões que acabam propiciando a ideia do suicídio. Existem vários fatores que levam uma pessoa a se suicidar como melancolia, competição excessiva e não adequação aos padrões sociais. Nesse contexto, a falta de diálogo provoca no indivíduo o sentimento de solidão de modo que propicia o desenvolvimento de transtornos como ansiedade. Por conseguinte, o jovem, tal como os autores do Romantismo no século XIX, enxergam o autoextermínio como uma opção passível de ser realizada, o que salienta a necessidade de ações no sentido de prevenir esse ato.
As formas de suicídio variam muito podendo ser por overdose, corte do pulso e carótida, enforcamento e até o envenenamento por pesticidas, sendo considerado um fenômeno complexo que afeta indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidade de gênero. Apesar de ser um tema muito discutido atualmente, ainda há um preconceito refletindo- se na escassez de palestras sobre o assunto, na carência de profissionais especializados e na extensa burocracia para marcar consulta na rede pública. Como resultado, a falta de apoio e de uma base sólida corrobora para manutenção dos altos números de autoextermínio no Brasil.
Segundo o filosofo Luiz Felipe Pondé, um dos fatores que tem ligação para as taxas de suicídio, é a depressão gerada pela inconsistência nas relações sociais. Portanto, é imprescindível que o Ministério da Saúde invista na formação e capacitação de mais profissionais especializados como psicólogos que sejam designados para atuarem dentro de escolas, universidades e espaços públicos facilitando sua acessibilidade aos cidadãos. Além de uma maior divulgação por parte da mídia sobre o tema e de instituições como o Centro de Valorização da Vida (CVV) dando maior visibilidade a causa. Criando-se vias que possam amenizar e solucionar esta problemática.