Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 19/05/2020
O Setembro Amarelo, iniciado em 2015, é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio que ganhou ampla visibilidade nas redes sociais, sobretudo entre os jovens, o que demonstra a pertinência do tema. De fato, os pensamentos suicidas afetam muitas pessoas atualmente, e são altos os riscos de sua concretização - de acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, a taxa de suicídio entre adolescentes de dez a 19 anos de idade aumentou 24% entre os anos de 2006 e 2015. Dessarte, deve-se entender o papel da escola e da família na prevenção e combate a esses casos, a fim de promover a saúde psicológica dos jovens brasileiros.
Inicialmente, convém analisar a relação entre o bullying - forma de violência que ocorre sobretudo nas escolas, de maneira repetitiva e prolongada - e o desenvolvimento de comportamentos auto-destrutivos na juventude. Decerto, esse fenômeno impulsiona os índices de suicídio entre os jovens, visto que, segundo dados divulgados no Jornal da Academia Americana de Psiquiatria da Criança e do Adolescente, pessoas entre 12 e 15 anos que sofrem bullying na escola têm risco até três vezes maior de se suicidar. Logo, é fundamental a atuação das autoridades escolares no enfrentamento e prevenção dos atos de violência, com a adoção de medidas específicas em cada realidade onde acontecem.
Além disso, é imprescindível a atuação da família nessa questão. Nesse ponto, destaca-se que, segundo Sigmund Freud, pai da psicanálise, existem, na sociedade, diversos “tabus”: concepções que se sustentam ao longo das gerações e agem como um demarcador de limites sobre os indivíduos. Com isso, criam-se mecanismos que impedem a discussão de assuntos importantes no ambiente familiar, tais como os transtornos mentais e desvios psíquicos, devido ao constrangimento perante o tema. Consequentemente, em casos em que o jovem tem pensamentos suicidas ou problemas semelhantes, não lhe é oferecido o auxílio adequado pelos seus familiares, que não estão cientes da situação.
Portanto, a problemática supracitada demanda uma intervenção, sendo que põe em risco a vida de muitas pessoas no país. Para isso, é preciso que o governo, por intermédio do Ministério da Educação, inclua nas escolas serviços de atendimento psicológico, com investimentos na contratação de psicólogos escolares, cujas funções são a avaliação diagnóstica e o aconselhamento dos alunos e professores, a fim de promover a saúde mental dos que frequentam as instituições e fortalecer o combate ao bullying. Ademais, a mídia deve promover a inclusão da discussão acerca dos transtornos mentais no ambiente familiar, com filmes e reportagens abordando a questão, de modo que se desconstrua o tabu em torno desse tema. Dessa maneira, será possível evitar a ocorrência de casos de suicídio na juventude e assegurar um futuro próspero aos jovens brasileiros.