Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 20/05/2020
O livro de Goethe, “Os sofrimentos do jovem Wether”, publicado em 1774, retrata a vida de um adolescente que, após uma decepção amorosa, desencadeou uma série de sentimento de tristeza, os quais estimularam-no a retirar a própria vida. Essa obra foi tão impactante, que desencadeou uma onda de suicídios, a qual foi denominada “Efeito Werther”. De maneira análoga, quando se observa o aumento do suicídio entre jovens na sociedade brasileira atual, percebe-se que esse ideal literário está próximo da realidade nacional. Dessa forma, é fundamental entender seus verdadeiros motivos para amenizar o problema.
A princípio, é importante destacar que a padronização, imposta pela sociedade contemporânea, ocasiona obstáculos ao processo de prevenção ao suicídio entre os jovens brasileiros. Com a era digital, criou-se uma “ditadura da felicidade”, na qual sentimentos humanos elementares, como tristeza e angústia, são repelidos. Segundo a psicoterapeuta Karen Scavacini, a geração de jovem nasceu com a tecnologia e a busca pelo “like”, o qual é tão viciante quanto uma droga. Desse modo, essa realidade evidencia e ratifica o pensamento do sociólogo Émile Durkheim de que o suicídio é resultante do meio que circunda o ser, sendo potencializado pelo tabu e pelos estereótipos associados à problemática.
Além disso, vale ressaltar que os principais agentes de conscientização ocasionam entraves ao processo de prevenção entre os jovens. De fato, são poucos os programas televisivos que retratam a autoviolação, pois a mídia ainda tem receio do “Efeito Werther”. Outrossim, as instituições educacionais omitem-se do papel de formação dos jovens, pois, na maioria das vezes, não têm profissionais para oferecer suporte psicológico aos menores e para debater acerca de doenças psicossociais, como a depressão e a ansiedade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 32 jovens se suicidam por dia no Brasil, o que equivale em média 11 mil mortes por ano. Nesse sentido, é preciso perder o medo de falar sobre o assunto, para que a população tenha mais acesso as informações.
É notável, portanto, que o suicídio entre os jovens brasileiros necessita de medidas urgentes para amenizar esse problema no país. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, junto com as escolas, por meio da campanha “Setembro Amarelo”, disponibilizar palestras para esclarecer, conscientizar, espaços para dialogar e contratar profissionais especializados para oferecer esse suporte, com o intuito de diminuir o alto índice de suicídio garantindo as integridades físicas e psicológicas dos jovens. Além disso, as mídias devem promover a desmitificação do autocídio, por meio de propagandas, reportagens, novelas e documentários que retratem confiança, a seriedade das doenças psicossociais, a fim de reduzir os estereótipos e o silêncio em relação ao assunto, estimulando os jovens a procurarem auxílio médico. Dessa maneira, poderão evitar que mais jovens tenham o mesmo fim que o Wether.