Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 23/05/2020

O livro de Goethe, “Os sofrimentos do jovem Wether”, publicado em 1774, retrata a vida de um adolescente que, após uma decepção amorosa, desencadeou uma série de sentimentos de tristeza, os quais estimularam-no a retirar a própria vida. Essa obra foi tão impactante, que desencadeou uma onda de suicídios, a qual foi denominada “Efeito Werther”. De maneira análoga, quando se observa o aumento do suicídio entre jovens na sociedade brasileira atual, percebe-se que esse ideal literário está próximo da realidade nacional. Dessa forma, é fundamental entender seus verdadeiros motivos para, então, amenizar o problema.

A princípio, é importante destacar que a padronização, imposta pela sociedade contemporânea, ocasiona obstáculos ao processo de prevenção ao suicídio entre os jovens brasileiros. Com a era digital, criou-se uma “ditadura da felicidade”, na qual sentimentos humanos elementares, como tristeza e angústia, são repelidos. Segundo a psicoterapeuta Karen Scavacini, a geração jovem nasceu com a tecnologia e a busca pelo “like”, o qual é tão viciante quanto uma droga. Desse modo, essa realidade evidencia e ratifica o pensamento do sociólogo Émile Durkheim de que o suicídio é resultante do meio que circunda o ser, sendo potencializado pelo tabu e pelos estereótipos associados à problemática.

Além disso, vale ressaltar que os principais agentes de conscientização ocasionam entraves ao processo de prevenção entre os jovens. De fato, são poucos os programas televisivos que retratam a autoviolação, pois a mídia ainda tem receio do “Efeito Werther”. Outrossim, as instituições educacionais omitem-se do papel de formação dos jovens, pois, na maioria das vezes, não têm profissionais para oferecer suporte psicológico aos menores e para debater acerca de doenças psicossociais, como a depressão e a ansiedade. De acordo com a OMS, 32 jovens se suicidam por dia no Brasil, o que equivale em média 11 mil mortes por ano. Nesse sentido, é preciso perder o medo de falar sobre o assunto, para que a população tenha mais acesso às informações.

É notável, portanto, que o suicídio entre os jovens brasileiros necessita de medidas urgentes para amenizar esse problema no país. Logo, o Ministério da Saúde, junto com as escolas, por meio da campanha “Setembro Amarelo”, disponibilizar palestras para esclarecer, conscientizar, criar espaços para dialogar e contratar profissionais especializados para oferecer esse suporte, com o intuito de diminuir o alto índice de suicídio, garantindo as integridades físicas e psicológicas dos jovens. Além disso, as mídias devem promover a desmitificação do autocídio, por meio de propagandas, reportagens, e documentários que retratem confiança, a seriedade das doenças psicossociais, a fim de reduzir os estereótipos e o silêncio em relação ao assunto, estimulando os jovens a procurarem auxílio médico.