Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 27/05/2020

Na série “13 Reasons Why” a personagem Hannah Baker acaba se suicidando, pois, em sua visão seus problemas não poderiam ser resolvidos e ela nunca iria superá-los. Fora da dramaturgia, o suicídio entre os jovens brasileiros é um empecilho, visto que, a vida aparentemente magnífica exibida por influenciadores e internautas digitais acarretam em um sentimento de perfeccionismo em quem os segue, ademais, o sentimento de agradar pais e familiares está enraizado em uma sociedade que repudia um suposto fracasso.

Em primeiro lugar, é necessário analisar que em um mundo multipolar as redes sociais são realidade, e com elas a exposição de uma rotina supostamente perfeita tornou-se diária: a foto de um café da manhã, um lugar encantador, ou apenas uma “selfie” com um sorriso estonteante. Impactando severamente os juvenis que passam por momentos difíceis, ocasionando uma ideia de incapacidade, achando que sua vida nunca será como a daquela fotografia, e que as dificuldades não irão passar, tal fato é evidenciado pelo psicólogo Augusto Cury, ao dizer que quem comete suicídio não quer se matar, mas sim matar à sua dor.

Concomitantemente, em um mundo em que a competitividade é aflorada desde os primeiros anos de idade o objetivo é ser sempre o melhor. Outrossim, ao sentir que decepcionou algum membro da família ou que não cumpriu com as expectativas dos pais, muitos meninos e meninas acham que não pertencem aquele lugar, levando-os a tirar a própria vida, comprovando o que para Durkheim caracteriza-se como fato social, em que a sociedade influencia os indivíduos.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para resolver o quadro atual. Para que o índice de suicídio entre jovens diminua radicalmente, urge que o Centro de Valorização da Vida (CVV) em parceria com as prefeituras municipais e psicólogos de cada cidade, promova palestras mensais, passando mensagens de apoio, alertando sobre futuras postagens em redes sociais e também mostrando que tudo é passageiro, além de fornecer auxílio psicológico gratuito a todos que participarem dos encontros. Pois, somente assim atitudes como a de Hannah Baker poderão ser evitadas.