Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 31/05/2020
O filme “As Virgens Suicidas”, dirigido por Sofia Coppola e lançado em 1999, exibe o cotidiano de cinco irmãs que são criadas em um ambientes de grande religiosidade pelos pais protetores. Quando a mais jovem comete suicídio, os pais das garotas tentam vigiar ainda mais de perto a rotina das filhas, não enxergando que essa repressão demasiada foi o principal fator que levou a primogênita ao óbito. Dado o exposto, assim como na ficção, na realidade, suicídio entre os jovens, especialmente no Brasil, possui como causa central a negligência dada a responsáveis diante de um problema de saúde pública.
Primeiramente, é fato acentuar que os jovens e adolescentes enfrentam o desafio de ingressar no mundo contemporâneo, cada vez mais exigente, em que predominam relações de competições, onde não encontram refúgio para lidar com o sofrimento. Dessa forma, seguindo a lógica da filosofia de Zygmunt Bauman sobre a sociedade contemporânea, as ideias de coletividade e de solidariedade morrem pelo individualismo. Nesse contexto, as relações afetivas se dão por meio de laços momentâneos e tornam-se superficiais em qualquer vínculo de camada social. Portanto, a falta de diálogos, comum entre pais e filhos, é uma razão para os jovens optarem por não pedir ajuda.
Outrossim, é válido salientar que os adolescentes e jovens buscam construir uma imagem de si que ainda é muito instável e dependente do olhar do outro. A cultura contemporânea, com a especularização da vida privada, muitas vezes, os tornam refém de uma imagem espetacular que tentam construir de si mesmos nas mídias sociais. À vista disso, meninos e meninas ficam mais vulneráveis a situações de desqualificação que podem tomar proporções devastadoras na sociedade atual, nas quais ferramentas de comunicação são utilizadas para potencializar insultos, a exemplo do cyberbulling.
Com base nos argumentos apresentados, afirma-se que o suicídio no Brasil é um problema de saúde pública que precisa ser combatido com medidas eficazes. Logo, cabe ao Ministério da Educação propor a realização de palestras obrigatórias em todas as escolas públicas e privadas do país, incluindo especialistas no ramo da psiquiatria para discutir com estudantes acerca do assunto, com o intuito de comunicar a importância de denunciar os sintomas do suicídio. Por outro lado, o Governo Federal deve criar propagandas televisivas acerca do assunto incentivando aos indivíduos ligar para o número do Centro de Valorização A Vida, objetivando oferecer ajuda para quem não tem coragem de anunciar que está sofrendo. Assim, como dizia o filósofo francês Jean Paul Sartre, “o suicídio é errado porque é um ato de liberdade que destrói todos os atos futuros de liberdade.”.