Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/06/2020

No século XVIII foi lançado o famoso livro alemão “Os sofrimentos do jovem Werther”, nele, o protagonista encontra como única alternativa para as suas angústias, acabar com a própria vida. Em consonância com esse quadro, hodiernamente, a taxa de suicídio entre jovens brasileiros faz-se crescente, seja devido a uma ditadura da felicidade pregada pelo sistema capitalista, seja devido à estigmatização de doenças mentais pela sociedade. Portanto, o suicídio representa um grave problema de saúde pública que precisa ser combatido com urgência.

Sob tal óptica, na obra “Admirável Mundo Novo”, Aldous Huxley apresenta uma humanidade condicionada a uma felicidade infindável e pelo prazer ao alcance de uma pílula (o “soma”). De forma análoga, há uma ideologia circundante pregando que tudo aquilo de que precisamos ou queremos está à venda. Nesse ínterim, ocorre a uniformização da sociedade, em que qualquer menção à dor ou à angústia – tão recorrentes na natureza humana- é vigorosamente suprimida, ora por uma medicalização imprudente, ora por um incentivo consumista que promete preencher qualquer tipo de vazio espiritual. Como consequência, sentimentos humanos elementares são silenciados, ocasionando entraves no processo de prevenção ao suicídio entre os jovens no país.

Além disso, a marginalização e o menosprezo frente a indivíduos com diagnóstico de doenças mentais representa outro enorme obstáculo. Nessa perspectiva, no filme “Coringa” o protagonista afirma “a pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você aja como se não tivesse uma”. De maneira semelhante, na realidade muitos tratam os distúrbios mentais como “frescura”, contribuindo, assim, para a estigmatizar e excluir pessoas afetadas por essas patologias. Em virtude disso, muitos adolescentes que estão vivenciando essa conjectura acabam se vendo marginalizados e desamparados, o que resulta em uma maior fragilidade ao ato do suicídio.

Em suma, é impreterível que se solucione essa problemática. Assim sendo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, promover campanhas de prevenção ao suicídio direcionadas ao público juvenil, com a contratação de profissionais especializados, os quais ofereçam suporte com o objetivo de ofertar tratamento adequado, garantindo as integridades físicas e psicológicas dos adolescentes. Dessa maneira, nenhum jovem terá mais o mesmo fim que Werther.