Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/07/2020

Super-heróis não existem

É comum ter a ideia de que se deve investir nos jovens, pois eles são a esperança de um futuro melhor. O que não é dito, no entanto, é: qual o tipo de investimento estamos fazendo e se isso tem relação com as altas taxas de suicídio entre esse público. Nessa perspectiva, entender que não existem pessoas perfeitas e que as crenças individuais e coletivas influenciam na sociedade atual, é um fator a considerar.

A psicóloga, norte-americana, Carol Dweck ao escrever um livro sobre a nova psicologia do sucesso, traz um conceito interessante a respeito dos mindsets, esse termo é relacionado à crença individual e coletiva, ou seja, o que a pessoa acredita que é capaz ou não de fazer. Diante disso, tem-se dois tipos de crenças: os mindsets fixos e os de crescimento. Infelizmente, o que se tem na sociedade hoje, em especial, no Brasil, são jovens de expectativas fixas, ou seja, pessoas que acreditam que vencem ou fracassam, o grande problema de tal postura são as frustrações, e por fim o escapismo por meio do suicídio como a possível solução dos problemas.

A grande questão é: a própria sociedade incentiva os jovens a terem crenças fixas quando passam a ideia de que ter sucesso é garantir o emprego perfeito, é ser aprovado no ENEM, ter um bom relacionamento, ou seja, não errar nunca. Esse posicionamento passa a ser herança familiar, e tem-se, portanto, um ciclo vicioso instalado, pois jovens no passado, os pais de hoje, ocupados demais em serem perfeitos, deixam a desejar em questões fundamentais como afeto e compreensão.

Assim, o mindset de crescimento, talvez seja um passo para a mudança de olhar, ou seja, ao invés de estabelecer uma divisão entre os que vencem e fracassam, pode-se pensar em uma realidade dos que aprenderam e os que ainda aprendem. É um processo longo e de difícil desconstrução, que demanda um trabalho em conjunto a ser realizado pelas diferentes esferas da educação, e saúde pública.

Lidar, portanto, com a situação, exige duas linhas de cuidado: saúde e educação. Com relação ao primeiro, investir na atenção básica é fundamental. Valorizar a ação dos psicólogos por meio do núcleo de apoio à saúde da família junto a centros de atenção psicossociais é uma atitude válida a se pensar junto ao ministério da saúde. No que diz respeito à educação, formar jovens e adultos com mindsets de crescimento, pode mudar todo um futuro e contribuição para a sociedade. O entendimento de que o erro faz parte do aprendizado, é essencial, afinal super-heróis não existem.