Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 15/07/2020
A série ‘‘Os treze porquês’’, produzida pela Netflix, retrata a dramática vida de uma estudante que sofre com os traumas da adolescência, recorrendo ao suicídio como forma de se libertar. Apesar de ficção, tal obra remete a problemas contemporâneos, em que o índice de jovens que retiram a própria vida cresce exponencialmente, seja pela intolerância social, ou frustrações da vida. Por esses motivos, subterfúgios devem ser engendrados para mitigar essa triste realidade.
Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que os indivíduos do mundo hodierno se sentem no direito de disseminar discursos de ódio contra os sujeitos considerados fora do padrão. Nessa égide, os cidadãos que possuem culturas, religiões ou tradições que não condizem com o esteriótipo social são constantemente ultrajados e inferiorizados. Destarte, para fugir do julgamento e violência alheia, as pessoas optam por retirar a sua própria vida, objetivando amenizar o sofrimento causado. Dessa maneira, o livro ‘‘O suicídio’’ de Durkheim, disserta que a ação individual é influenciada pela ação coletiva, em que esta, através da violência simbólica, exerce um poder coercitivo nos indivíduos. Nesse cenário, vê-se que o infeliz panorama do suicídio é, de maneira indireta, fruto da sociedade. Nessa perspectiva, reverter essa situação não é um fato opcional.
Faz-se mister ressaltar, ainda, que muitas pessoas se baseiam em influenciadores nas redes sociais e, por sua vez, quando não possuem a vida que lhes é retratada caem em frustração. Nesse óbice, as plataformas digitais espalham diversos perfis de vidas aparentemente perfeitas, influenciando os cidadãos a almejarem uma vida idônea. Contudo, quando não conseguem lidar com o fracasso, os jovens retiram a própria vida. Nessa diretriz, uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística, em 2017, constatou que 22 a cada 100 jovens cometem suicídio, entre as idades de 15 a 26 anos. Nesse diapasão, tais dados corroboram que os índices de mortes por suicídio crescem todos os dias. Logo, mudanças precisam ser instauradas com veemência.
Sob o olhar de Oscar Wilde, a não aceitação da realidade é o primeiro passo para a evolução de uma nação. Portanto, urge uma parceria entre o Ministério da Educação e as famílias, incitando formas de os alunos dialogarem e desabarem seus problemas, por meio de debates e workshops que tenham a presença de psicólogos, os quais tratem sobre o suicídio e auxiliem os alunos com as problemáticas sociais, com o fito de incentivar o diálogo em casa e diminuir os índices dessa prática. Outrossim, é necessário que os veículos midiáticos realizem campanhas de conscientização às práticas de suicídio, por meio de outdoors ou propagandas online que levem os cidadãos a lutar pela vida, com o objetivo de transpor esse problema. Assim, séries com ’’ Os 13 porquês’’ não serão mais uma realidade.