Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 29/07/2020

A segunda fase do Romantismo conhecida como ultrarromântica teve como característica a evasão da realidade por meio da morte. Tal qual esse ideal literário, a realidade vem se aproximando cada vez mais desse pensamento, como aponta o crescente número de casos de suicídio juvenil. Nesse sentido, os ambientes de convívio familiar e escolar em que o jovem se encontra gera transtornos pessoais e socioculturais.

Em primeiro lugar, vale lembrar o pensamento do psicanalista Freud, o qual diz que a família é uma teia de vínculos e emoções que forma e protege, conquanto cobra e pressiona. Tendo isso em vista, pode-se afirmar que a imposição familiar ao jovem sobre os padrões comportamentais, culturais e sociais, cria uma visão limitada quanto as dores desse indivíduo, que pode desencadear casos extremos como mostra a série “13 Reasons Why”, em que a protagonista por não ter tido o suporte e ajuda necessária para lidar com seus sofrimentos, acaba por retirar sua vida como forma de findar com o que sentia.

Por conseguinte, convém frisar a frase do psiquiatra Augusto Cury que afirma que quem comete atos suicidas não quer matar a vida, mas sim a dor. Nesse sentido, o constante medo do futuro e ansiedade exacerbada, frutos do acelerado modo de vida do século XXI, força os jovens que se encontram encurralados por esses sentimentos, a buscar formas de atenuar seus males internos, por muitas vezes utilizando entorpecentes ou ingerindo álcool. No entanto, essa tentativa de efúgio tem caráter paliativo, ou seja, contorna-se de forma passageira os problemas enfrentados na realidade.

Diante do cenário exposto, é evidente que a questão do suicídio juvenil no Brasil necessita do compartilhamento de responsabilidades com respostas sistêmicas. Sendo assim, cabe a família, principal pilar na formação do indivíduo, por meio do estabelecimento de diálogos, buscar entender o real contexto em que o jovem está vivendo construindo uma relação afetiva, a fim que possa ser passado um sentimento de acolhimento familiar. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação, por meio das escolas, promover rodas de conversa sobre o suicídio com supervisão de profissionais da área da saúde como psiquiatras e psicólogos, buscando dar orientações para se evitar e tratar possíveis casos de doenças psicossomáticas desencadeadoras de práticas suicidas. Assim, será possível ludibriar a ocorrência de problemas como as vividas no mal do século da segunda fase romântica.