Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 30/07/2020
A segunda fase romântica no Brasil, também chamada de mal do século, exaltava a fuga da realidade por meio da vida devassa e principalmente a morte como a solução dos problemas. Atualmente, tal contexto se faz presente no cotidiano, dado o aumento significativo do número de suicídios cometidos por jovens. Nesse contexto, assim como em tal fase literária, o jovem buscar resolver seus problemas e transtornos através de condutas suicidas.
Em primeiro plano, faz-se necessário destacar os problemas que levam a tal decisão. A família, na concepção Freudiana, constitui-se como uma teia de emoções: se por um lado forma e protege, por outro cobra e pressiona. A pressão é um fator que cresce muito ao longo dos anos, seja no âmbito familiar, econômico, social ou escolar, tendo em mente que o encaixe aos padrões expectados tem se tornado cada vez mais inacessível. Nos âmbitos social e principalmente escolar, além das inúmeras cobranças, o bullying e ataques na internet estão constantemente presentes na vida da maioria dos jovens.
Consequetemente, a junção desses fatores culmina em inúmeros problemas de saúde mental e transtornos. Transtornos psicológicos como ansiedade, síndrome do pânico e depressão, além de doenças psicossomáticas são os resultados de todo o peso que é descarregado no jovem pela sociedade e também por si mesmo. Ademais, em seu estudo sobre a modernidade líquida, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que as interações entre os indivíduos tornam-se cada vez mais fluidas e menos concretas. Sendo assim, esse modo de vida implica diretamente nas decisões dos jovens, por não ter apoio. Tal situação se consolida tendo em vista o preconceito da sociedade em relação aos problemas psicológicos e à busca por profissionais para a sua solução. Desse modo, o indivíduo se vê sem saída e o suicídio se torna a melhor opção.
À luz desse debate, conclui-se que o suicídio de jovens constitui uma problemática que necessita de solução rápida e sólida. Portanto, é dever do Governo, por meio do Ministério da Educação, incluir na matriz curricular das instituições de ensino matérias que envolvam saúde mental e maneiras de lidar com situações, além de incluir profissionais capacitados que possam oferecer assistência aos problemas psicológicos. Outrossim é dever da família buscar relações que sejam mais afetivas e que visem o diálogo e a compreensão, para que os transtornos sejam identificados previamente e sejam mais facilmente resolvidos. Assim, por meio de tais medidas, os jovens se distanciarão do contexto ultrarromântico, e o suicídio deixará de ser viável.