Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 31/07/2020
A segunda geração romântica, marcada pelo sofrimento do homem, possuía como principal característica a fuga do real através da morte. Atualmente, tal ideal literário tem se aproximado cada vez mais da realidade dos brasileiros, com o aumento das taxas de suicídios. Tal problemática, agravada seja por fatores pessoais, sociais ou de cunho familiar, representa no mundo atual uma das principais causas de fatalidades entre jovens.
Para Freud, a família é essencial no processo de formação do jovem, constituindo uma complexa teia de vínculos que se por um lado forma e protege, por outro cobra e pressiona. Assim, aspectos como a falta de diálogo e a imposição de expectativas sob o mesmo são fatores responsáveis por afetar o bem estar emocional do jovem, uma vez que o mesmo se sente preso em um ambiente que não o transmite segurança para ser quem ele mesmo deseja, fugindo dos padrões impostos pela sociedade. Consoante a dados fornecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 90% dos suicídios podem ser impedidos através do diálogo.
Ademais, o preconceito enfrentado mediante certas situações que expõe o jovem ao desconforto gerado por questões relacionados à sexualidade, aparência ou até mesmo etnia, podem proporcionar pensamentos autodepreciativos levando a um ideal de suicídio como solução. Associado a isso está a falta de profissionais qualificados para tratar a respeito do assunto, como exemplificado pela série de televisão norte-americana, 13 Reasons Why, na qual uma jovem comete suicídio ao enfrentar uma série de transtornos e não encontra o auxílio necessário nem por parte da família, nem pela escola.
Portanto, o suicídio precisa ser tratado como um grave problema de saúde pública que afeta milhares de jovens brasileiros. Assim, é papel da família, por meio do diálogo, a manutenção das relações afetivas acompanhada por uma quebra nos padrões impostos, para que o jovem não sinta que existe uma pressão a ser enfrentada socialmente. Outrossim, cabe às escolas o olhar atento às questões de âmbito educacional, proporcionando um ambiente seguro para o adolescente, juntamente com a presença de profissionais capacitados, tanto no ambiente escolar quanto em centros médicos, fornecidos pelo governo. Segundo dados do Centro de Valorização da Vida (CVV), desde 2016 em uma parceria com o SUS, foram construídos cerca de 109 centros de atenção psicossocial, reduzindo as taxas de suicídio no Brasil em 14% e mostrando que o diálogo é sempre o melhor caminho.