Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 26/08/2020
Em 1988, Ulysses Guimarães estabeleceu, no artigo 227° da Carta Magna, que a República deveria ser capaz de garantir ao adolescente e ao jovem o direito à vida. Entretanto, décadas se passaram e por existir o aumento do índice de suicídio, os indivíduos estão distantes de ver a promessa do artigo 227° fora da teoria. Nesse sentido, essa situação é prejudicial à sociedade, assim, demanda-se mais atuações de atores sociais e estatais.Nesse viés, essa problemática potencializada não só pelo estigma de doenças psiquiátricas, mas também pela falta de conhecimento sobre o assunto.
Em primeiro lugar, convém elucidar que as doenças psiquiátricas são negativamente estigmatizadas pela sociedade. Nesse contexto, de acordo com a OMS(Organização Mundial de Saúde) a depressão, daqui a alguns anos, será a doença mais frequente entre os jovens, observa-se então o aumento da taxa de suicídio na população de 15 a 29 anos. Sob essa óptica, apesar de já ser considerada doença e ocorrer um aumento dela, uma grande parcela da sociedade ainda enxerga a depressão como algo banal ou não relevante, causando uma permanência desse cenário. Dessa forma, não é razoável que com o intuito de ser uma nação desenvolvida, a sociedade brasileira ainda conviva com essa realidade de negligência sobre o assunto, pois a quebra desse tabu deve ser prioridade para o Estado.
Outrossim, vale ressaltar que a falta de conhecimento sobre o assunto é um obstáculo. Sob esse viés, ao analisar a série “Os 13 Porques” original Netflix, na qual aborda os motivos pelos quais uma jovem tirou sua própria vida, verifica-se a falta de percepção sobre o assunto, visto que, caso a comunidade estudantil fosse treinada para identificar possíveis características da doença seria possível prevenir. Nessa perspectiva, apesar do suicídio ser multifatorial é possível identificar mudanças no comportamento do indivíduo, sendo possível trabalhar na prevenção. Dessa maneira, enquanto o despreparo for regra, o Brasil continuará convivendo com esse cenário de crise.
Em suma, são inegáveis os prejuízos à sociedade brasileira em decorrência do suicídio entre os jovens. Portanto, cabe a Secretaria Especial de Comunicação Social produzir propagandas que tirem o estigma das doenças psiquiátricas, as quais tenham personalidades frequentes na sociedade,por meio da divulgação em escolas, TV e rádio, a fim de desconstuir os estigmas enraizados socialmente. Além disso, compete ao Ministério da Cidadania promover cursos de capacitação às empresas e escolas, os quais ensinarão o rastreio e manejo de combater o suicídio, por intermédio da implementação nacional, com a finalidade de aumentar o cuidado com as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade. Por conseguinte, caso essas medidas ocorram, será possível a comunidade brasileira atenuar os índices de suicídio e a promessa da Carta Magna deixará de ser apenas teoria.