Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 14/10/2020

Só se ver bem com o coração

“Saindo da vida para entrar na história”, foi assim que Getúlio Vargas, em 1953, comunicou a nação verde e amarela, em sua carta-testamento, que cometera suicídio. Para além disso, ele deixou como legado uma visão romantizada sobre tal problemática: se suicidar quando as coisas fogem do controle. E hoje, a geração selfie do século  XXI, sofre por ter postergado a discussão acerca da necessidade de se construir caminhos de prevenção contra essa epidemia.

Segundo pesquisas feitas pela revista Science em 2018, parte significativa da juventude brasileira comete suicídio por se sentir fora do controle da própria vida, enclausurada em sua dor, solitária e sem opção para solucionar suas demandas. Dessa maneira a morte prematura vira uma válvula romantizada de escape, que põe fim não apenas em dores, mas sobretudo em vidas. Em linhas gerais, o suicídio interrompe o crescimento do Brasil “gigante por natureza”, extermina o próximo Milton Santos e atrofia a capacidade de praticar resiliência  dos filhos da pátria amada.

Dessa forma, ele deve ser tratado em suas causas, não em seus efeitos. Para tal, faz-se necessário entender um outro aspecto social que influencia na persistência dessa epidemia: a modernidade líquida apregoada pelo sociólogo Bauman. Ela é a criadora da geração selfie, da juventude fast-food, que vive tempos líquidos e relacionamentos interpessoais supérfluos. Esse estilo de vida é nocivo a saúde mental desses jovens e dificulta a formação de vínculos sociais reais e duradouros, os quais são os melhores caminhos de prevenção ao suicídio. Afinal, por mais que um amigo não nos livre a dor, auxilia a suporta-la.

Como bem disse Aristóteles, o homem é um ser social. Partindo dessa máxima, quebrar o tabu que gira em torno da temática “suicídio” é condição “sine qua non” para por fim ao mesmo. Isso se dará para além do Setembro Amarelo, através de políticas públicas efetivadas pelos Poderes Executivo e Legislativo que promovam nas escolas, faculdades e empresas tal questão. Aliado a isso, é dever do indivíduo romper com a ótica individualista da sociedade e, como a raposa da obra - O Pequeno Príncipe, aprender a importância emocional e psicossocial de cativar pessoas, criar laços e ser sensível as necessidades do outro. Somente assim, o essencial que é invisível aos olhos será bem visto através do diálogo e da empatia, as melhores receitas contra o suicídio.