Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 19/09/2020

“Não há fatos apenas interpretações”. Essa afirmação do filósofo alemão Nietzsche pode ser aplicada a mentalidade da população brasileira diante de problemas relacionados a saúde mental já que muitos não tentam entender as origens da problemática e sim acusar os abalados por ela de dramáticos. Esse cenário ocorre com os casos de suicídio, no Brasil, as pessoas não encontram apoio social para se encaixar na sociedade ao mesmo tempo são cobradas a realizar isso. Ademais, a individualidade nas relações juntamente a mentalidade capitalista da produtividade afetam, ainda mais, o bem-estar dos indivíduos.

Dessa forma, o desconhecimento sobre o assunto aliado aos comportamentos egoístas gera a dificuldade para a discussão sobre o suicídio. Isso ocorre porque as pessoas visam, em sua maioria, uma ascensão social sem a ideia de coletividade. Deste modo, os indivíduos não tem empatia para entender realidade com a qual o outro convive, e que em alguns casos sofre para se manter nela. Sob essa perspectiva, a performance “A Artista Está Presente” da artista sérvia Marina Abramovic ilustra a atitude que mudaria essa temática, visto que na apresentação a criadora se propõem a sentar e olhar o outro indivíduo mesmo que essa ação consuma o seu tempo. No contexto real, os cidadãos encontram-se na necessidade de trazer a obra para o cotidiano.

Ademais, é perceptível que a lógica capitalista alicerça uma pressão por resultados que prejudicam para mais a sanidade mental dos citadinos. Tal fato é baseado na ideia de que um indivíduo para ser reconhecido pela sociedade precisa ser produtivo e gerar riquezas a todo momento independente de situações externas ao trabalho e acontecimentos mundiais. Porém, esse excesso de valorização com lucro produz pessoas incapacitadas de lidar com o fracasso que podem até se matar quando não alcançam o sucesso. Essa ideia faz referência ao ano de 1929, nos EUA, no qual muitas pessoas se suicidaram quando descobriram que tinham falido junto com a bolsa de valores de Nova Iorque.

Diante o exposto, urge a exigência de modificar essa realidade produtiva com aspecto individual quando se trata das relações humanas. Na questão da falta de entendimento e compreensão sobre o outro, cabe ao Ministério da Educação mudar suas diretrizes para incentivar o ensino sobre doenças mentais e sua aplicação na sociedade na matéria de sociologia com a finalidade de instigar os alunos, desde cedo, a entender o outro em sua totalidade. Outrossim,a Secretaria de Trabalho, deve criar um plano nacional de acompanhamento psicológico, que obrigue os contratantes a ter psicólogos para atender seus trabalhadores na qual esses conseguiam lidar melhor com pressões do cotidiano. Com isso, a realidade brasileira torna-se mais compreensiva e menos suscetível a casos de suicídio