Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 29/09/2020
O Brasil vive uma crise em relação ao aumento das taxas de suicídio entre jovens persistente em toda sua sociedade. Segundo o Ministério da Saúde, o suicídio assume o quarto lugar na posição de causas de morte entre jovens, tendo uma alta de 65% nos últimos 15 anos. Essa situação nefasta, ocorre não somente pelo fato da falta de diálogo dentro dos lares brasileiros, como também pela ausência de incentivos e programas voltados ao bem estar da saúde mental dos jovens.
Em primeira análise, é preciso ressaltar a importância do ambiente familiar no desenvolvimento dos jovens. Dados OMS apontam que mais de 40% da Geração Z não se sente confortável em abordar assuntos como depressão, distimia ou informações mais privadas de suas vidas pessoais com seus pais, por medo de que os mesmos não possam entender ou venham a julgar. Esse desencontro entre gerações é um dos principais fatores para essa problemática, visto que muitos pais quando não se culpam pela situação de seus filhos, entram no modo defensivo e acabam por banalizar a situação do menor, caracterizando a depressão e outros distúrbios psicológicos como passageiras ou “frescuras” de adolescentes. De tal forma, essa falta de comunicação e banalização dos sentimentos do jovem acabam por desencadear o distanciamento daquela que deveria ser a mais segura base de conforto e acolhimento, o que pode acarretar em situações irreversíveis.
Por conseguinte, tem-se a ausência de programas governamentais voltados ao bem estar mental e acolhimento desses jovens. Em consonância com a psicóloga Dandara Jones, o verdadeiro avanço para o controle de suicídios entre os jovens se dará quando a sociedade passar a dar a mesma importância a prevenção dos conflitos da mente, como dá para os do corpo, visto que os dois estão conectados diretamente. Esse pensamento é comprovado uma vez que se sabe que diferentes estados mentais podem afetar o funcionamento do corpo. Dessa forma, torna-se lúcido apontar que ao negligenciar a importância da saúde mental dos jovens de sua população, o Estado também está negligenciando o bem estar físico destes, indo na contramão do que prevê a Constituição Cidadã.
Depreende-se, portanto, o dever do Estado em não apenas reconhecer o assunto, como também aumentar as discussões sobre suicídios e problemas psicológicos que afetam a juventude atual, por intermédio de palestras administradas por psicopedagogos ainda em ambiente escolar, com a presença de pais, alunos e outros membros da comunidade. Além disso, é primordial que a presença de psicólogos seja ampliada no Sistema Público de Saúde, por meio de programas mais abrangentes que promovam e adotem o bem estar mental como princípio de qualidade de vida. Espera-se, com o conjunto dessas ações, criar bases seguras de dentro para fora na prevenção do suicídio entre jovens.