Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 23/09/2020

O livro “Os sofrimentos do jovem Werther”, do romantista alemão Goethe, relata a história de um adolescente que, acometido por depressão, suicida-se após uma desilusão amorosa. Fora da ficção, a temática do suicídio entre os jovens no Brasil representa, infelizmente, um problema crescente: segundo dados da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, o número de casos registrados em São Paulo entre 2002 e 2012 aumentou 42%. Dentre as causas dessa problemática, destaca-se a consolidação do capitalismo e a consequente materialização da vida humana, que instigam a pressão social por sucesso, um agente motivador de problemas psiquiátricos. Ademais, a falta de apoio familiar e social que os jovens enfrentam, nessa fase que é de afirmação identitária, fomentada pela romantização do suicídio na mídia, também intensificam o problema. Em primeiro lugar, a consolidação do sistema capitalista foi responsável pelo fortalecimento do Materialismo histórico, termo do sociólogo Karl Marx: como parcela integrante de um mundo capitalizado, as pessoas vivem em função do fortalecimento de sua condição material. Nesse processo, em que há uma desumanização do indivíduo, visto somente pelo seu poder aquisitivo e suas posses, as pressões externas por sucesso profissional e produtividade são internalizadas pelo sujeito, algo que intensifica distúrbios psiquiátricos e o suicídio. Portanto, vivendo a descrita “sociedade do desempenho”, como nomeada pelo filósofo Byung-Chul Han, os jovens se sentem pressionados e insuficientes cada vez mais cedo, e as taxas de suicídio, consequentemente, aumentam. Ademais, a juventude representa um delicado momento de afirmação da identidade do sujeito. Entretanto, os chamados fatos sociais, nomeados pelo sociólogo Émile Durkheim como o conjunto de fatores culturais inerentes à sociedade, transcendem o indivíduo e limitam sua autoafirmação genuína, em um processo de coerção daqueles que tenham características comportamentais divergentes do esperado. Devido a isso, é muito comum que jovens, ao não se sentirem aceitos no meio em que vivem, recorram ao suicídio. Esse processo é, ainda, fomentado pela irresponsabilidade de veículos midiáticos que romantizam os casos de suicídio e acabam os incentivando, um processo conhecido como Efeito Werther-uma alusão aos jovens que, influenciados pelo protagonista de “Os sofrimentos do jovem Werther”, tiraram a própria vida após a leitura do livro. Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Educação e Cultura pode, por meio de propostas de lei entregues à Câmara dos Deputados, incluir nos currículos escolares palestras mensais de prevenção ao suicídio, a fim de que os jovens tenham acesso a profissionais qualificados que os orientem sobre o que pode ser feito para prevenir tais ocorrências em seu ciclo pessoal e social. Complementarmente, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações pode, por meio de acordos firmados com as plataformas de streaming e a mídia televisiva brasileira, recomendar a não exibição de cenas de suicídio de maneira romantizada e irresponsável. Dessa forma, ver-se-á o enfrentamento efetivo do suicídio no Brasil.