Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 09/10/2020

No livro “Mrs. Dalloway”, o personagem Septimus se suicida por conta de seu psicológico abalado após participar da primeira guerra mundial. Fora do universo literário, a realidade brasileira não destoa do apresentado, sendo comuns, não apenas casos de indivíduos que tiram suas próprias vidas - seja por conta de suas realidades ou de transtornos mentais, mas também a existência do tabu em relação a esta problemática. Logo, convém ao governo promover a modificação da situação atual.

A priori, o acontecimento do suicídio pode envolver muitos fatores. Segundo Emile Durkheim, esse ato pode ser classificado como anômico ou egoísta. Primeiramente, o “anômico” ocorre em situações em que o cidadão, por viver num local que não lhe garante qualidade de vida, não “enxerga” perspectivas de melhora no futuro. Esse viés é provado por dados da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), os quais afirmam que 79% dos casos ocorrem em países de baixa renda, realidade em que o Brasil está inserido, graças à negligência do Estado para com a população mais carente. Ademais, o “egoísta” é consequência do sentimento de não pertencimento na sociedade, gerado por transtornos mentais - como a ansiedade social, que impede suas vítimas de socializar com outros indivíduos.

Outrossim, por mais que exista um grande número de ocorrências, o suicídio ainda é um tabu. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), uma pessoa se matou a cada 40 segundos em 2019. Tal cenário poderia ter sido evitado por meio do incentivo à busca por tratamento, porém boa parte dos civis não tratam o assunto com a devida importância (como um problema de saúde pública) e o consideram como “fraqueza” ou, até mesmo, como “falta de Deus”. Assim, poucas discussões sobre a temática são feitas e menos informações sobre a saúde mental debilitada são passadas aos familiares e amigos de enfermos - o que causa confusão sobre como ajudar e como tratar quem está doente.

Portanto,  é dever do Ministério da Saúde, em parceria com a Mídia, elaborar e publicitar campanhas nas redes sociais e na televisão que conscientizem o povo brasileiro sobre a necessidade de procurar tratamento terapêutico com profissionais psicológicos, não apenas em caso de transtorno mental, mas também como uma forma de auto cuidado e prevenção. Além disso, é papel do Estado criar e colocar em prática políticas públicas que melhorem a condição socioeconômica da população carente, com a criação de projetos que disponibilizem renda mensal e cursos profissionalizantes para que possam, quando possível, parar de depender do dinheiro estatal. Desse modo, a saúde mental será mais valorizada e muitas vidas poderão ser salvas, contrariando o que aconteceu com o personagem Septimus.