Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 29/10/2020

O Impressionismo, movimento artístico, surgido no século XIX, propôs a valorização das emoções, dos sentimentos e das sensações. Na contemporaneidade, é relevante recuperar estes princípios, uma vez que os desafios para se combater o suicídio na juventude persistem atrelados à realidade do país, seja pela falta de preocupação com o estado emocional dos jovens, seja pelo tabu que ainda persiste intrínseco na sociedade. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias nesse âmbito de modo a evitar que mais vidas sejam perdidas.

A princípio, segundo os pensamentos do sociólogo Émile Durkheim, o suicídio é consequência de ações sociais. Na atualidade, tal perspectiva se relaciona, diretamente, ao quanto a sociedade negligencia um dos pontos fundamentais do bem-estar humano: a saúde mental. Além disso, por não ser algo “visível” e “palpável” e pela falta de conhecimento popular a respeito do tema, grande parte da população acredita que as doenças e transtornos mentais são “frescura” ou algo a não ser levado a sério, o que, muitas vezes, impossibilita um diagnóstico e tratamento adequado. Contudo, apesar de, segundo a OMS, 10% da população mundial apresentar algum distúrbio de saúde mental são poucas as políticas públicas verdadeiramente implementadas com o intuito de mudar esse percentual.                       Ademais, é imprescindível salientar que o suicídio é um tabu que persiste intrínseco na sociedade, uma vez que a falta de comunicação entre a pessoa que está sofrendo e a família se deve ao preconceito que ainda há em falar sobre o tema. Além do mais, há também o chamado efeito Werther, teoria baseada no romance do alemão Johann Goethe, que se refere ao aumento demasiado de suicídios após um caso que for amplamente divulgado, o chamado suicídio por imitação. Essa teoria fez com que falar sobre o assunto na mídia e na família se tornasse algo que pudesse ser um “gatilho” e influenciar na ocorrência do ato. Todavia, o diálogo sobre o tema não é o problema em si, e sim a romantização da prática que, muitas vezes, é colocada como a resolução para os problemas.

Em virtude dos fatos mencionados, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Governo Federal, promover, por meio da elaboração de campanhas em veículos midiáticos, ao longo de todo o ano, e não somente no setembro amarelo, uma conscientização a respeito da importância de saber reconhecer possíveis riscos e de como pedir ajuda. Além de tudo, cabe as instituições de ensino  promoverem palestras para os pais e alunos com a participação de especialistas que sanem as possíveis dúvidas e promovam o diálogo. Ainda, é necessário, por meio de um acompanhamento psicológico constante, que as escolas fiquem atentas a quaisquer sinais de mudanças radicais no comportamento dos alunos, a fim de garantir, dessa forma, que mais vidas possam ser salvas.