Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 29/09/2020
Em 1994, Mike Emme - rapaz norte-americano de apenas 17 anos - tirou a própria vida e motivou o início de uma das campanhas mais relevantes para a sociedade: o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio. Entretanto, o combate ao problema não se mostra efetivo no Brasil. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causa o silenciamento midiático e a negligência governamental.
Sob um primeiro plano, a omissão às doenças psiquiátricas dá lugar à busca pela morte voluntária. Sobre isso, no século XVIII, o suicídio passou a ser tratado como uma atitude derivada de distúrbios mentais. Nessa perspectiva, o médico francês Philippe Pinel foi o pioneiro em propor o tratamento daqueles que tentam subtrair a própria vida. No entanto, substancial parcela dos brasileiros é indiferente aos avanços da psiquiatria, fator influenciado principalmente pelo silenciamento das mídias. Desse modo, essa atitude omissa representa obstáculos para que casos como o de Mike Emme seja exceção.
Outrossim, a negligência governamental é fator que corrobora para a permanência do suicídio entre os jovens. Sob esse viés, é nítido que o governo falha ao cumprir o seu papel enquanto agente fornecedor da saúde pública - assegurada pela Constituição Federal - sendo assim, omisso à prática suicida ao não disponibilizar suporte para resolver a problemática, bem como um atendimento pleno e eficaz à população. Nesse sentido, à medida que a ideação suicida se mantiver na sociedade, continuará matando uma pessoa a cada 40 segundos, tal como apontou a OMS. Percebe-se, então, certa urgência em reverter esse quadro.
Portanto, cabe às mídias - no exercício do seu papel social - em parceria com o Ministério da Saúde, desconstruir a visão reducionista do problema e dar mais visibilidade aos distúrbios mentais, a exemplo da depressão. Essa iniciativa aconteceria por intermédio de um projeto, que poderia se chamar “Cada vida conta”, no qual os indivíduos poderiam compartilhar suas angústias, a fim de receber o devido tratamento. Desse modo, é possível diminuir as taxas de suicídio entre os jovens brasileiros e retomar, então, a vontade pela vida.