Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 07/10/2020

Na série americana “13 Reasons Why” é retratada a história da jovem Haanah Baker, que se suicida após passar por diversos conflitos interpessoais e instabilidade emocional. Apesar de ficção, essa realidade está presente na vida de muitos jovens no Brasil, a qual necessita de caminhos capazes de prevenir tal problemática. Desse modo, é necessário compreender que essa situação é fruto inegável de um despreparo social. Nesse sentido, entre os princípios que sustentam essa questão, pode-se mencionar a falta de conhecimento sobre a depressão por parte da sociedade, bem como a fluidez das relações humanas.

A priori, vale destacar que a depressão -a principal doença causadora do autocídio- ainda é pouco conhecida pela população. Isso ocorre porque há um tabu muito grande na sociedade de que é um problema fácil de encarar, apenas um momento de tristeza ou frescura, assim, torna-se irrelevante conhecer mais. Em consequência disso, muitos jovens evitam expor seus conflitos a outras pessoas e não buscam ajuda com medo do julgamento, tal atitude que corrobora com o suicídio, uma vez que isso somado com a gravidade dessa patologia intensifica o quadro de tristeza e desanimo preexistente. Prova disso, são os dados de uma pesquisa feita pelo Ibope, o qual revela que 56% dos indivíduos entre 18 a 24 esconderiam um eventual diagnóstico aos colegas de trabalho, de escola ou familiares.      Outrossim, ressalta-se que fluidez das relações interpessoais dificulta o reconhecimento de um comportamento suicida na juventude. Dessa forma, cabe pontuar que isso ocorre porque as interações humanas, tal como defendido pelo conceito de modernidade líquida do sociólogo Zygmunt Bauman, tornaram-se pouco duradouras e indefinidas, dado que não há tempo para olhar e escutar o outro. Por conseguinte, emerge os sentimentos de desamparo e isolamento, visto que o indivíduo não se vê notado pelos demais, amado, compreendido e respeitado, logo, perde o sentido de pertencimento social, o qual aumenta as chances de autoquíria. Um exemplo disso é o exposto na série citada acima, na qual só foi tomado consciência da situação pelos envolvidos após o ocorrido com a Haanah Baker.

Destarte, é evidente a necessidade de mudanças. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, promover campanhas de conscientização acerca do suicídio, de modo a explicitar os fatores hormonais e neurológicos -causadores da depressão e posteriormente do suicídio-, através de propagandas no horário de pico, com o objetivo de informar que é um problemas grave e romper com o tabu de simplicidade. Além disso, cabe as redes sociais, tal como o Instagram e Facebook, criar posts patrocinados de incentivo à interações humanas presenciais, com o fito de alertar sobre a importância de enxergar os jovens que nos acercam, no intuito de prevenir eventuais atos de tirar a própria vida.