Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 05/10/2020

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas em 1948, assegura a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Contudo, a taxa de suicídio entre os jovens tem crescido, com isso, a problemática deve ser colocada em pauta e debatida como uma questão de saúde pública grave. Nesse contexto, dois aspectos tornam-se relevantes na definição de caminhos para prevenção: as motivações para os casos e a banalização da sociedade.

Inicialmente, pensamentos suicidas são gerados a partir de gatilhos despertados no dia a dia do jovem. Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, um fator de risco para o suicídio é estar dentro de um grupo social em que a pessoa não é reconhecida e respeitada. A exemplo disso, em notícia publicada no jornal Estadão no ano de 2020, havia um vídeo no qual um garoto australiano, que sofria bulliyng na escola por ser anão, pedia à mãe uma corda para se matar e se livrar de toda a dor que sentia. Dessa forma, a exclusão social causada pelo bullying é uma potencial motivação ao suicídio entre os mais jovens.

Outrossim, a banalização social sobre o tema é um empecilho à prevenção. De acordo com a teoria da banalidade do mal idealizada pela escritora alemã Hannah Arendt, no processo de socialização, foi criada uma multidão incapaz de fazer reflexões morais, razão pela qual aceitam e cumprem ordens sem questionar. Desse modo, o suicídio recorrente entre os jovens passou a ser normalizado, o que contribuiu para o surgimento de estigmas sobre o assunto, como por exemplo, que a discussão acerca da questão é uma maneira de “atrair” a morte, como se fosse algo contagioso. Por certo, mesmo que a série americana “13 Reasons Why” faça sucesso e possibilite o debate ao abordar o problema, a banalização das pessoas ainda persiste.

Portanto, constata-se que o suicídio e suas causas são uma questão de saúde pública, o que configura sua prevenção de extrema importância para a sociedade. Sendo assim, é necessário que o Ministério da Saúde, que é responsável pela destinação dos recursos, crie uma rede de apoio para evitar novas tentativas e promover a conscientização social, por meio de plataformas online que abordem a temática com profissionais especializados, além da divulgação e expansão da linha telefônica de valorização a vida. A ação proposta tem a finalidade de fornecer suporte ao jovem com pensamentos suicidas e, consequentemente, prevenir possíveis casos.