Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 10/10/2020
“Os sofrimentos do jovem Werther”, escrito no século XVIII, é um clássico da literatura mundial, cuja história retrata a vida de um adolescente que, após um fracasso amoroso, desencadeou uma série de sentimentos de tristeza, os quais estimularam o indivíduo a retirar a própria vida. Tal obra foi tão impactante, no cenário da época, que impulsionou uma onda de suicídios, a qual foi denominada “Efeito Werther”. De maneira análoga, quando se observa o aumento do autocídio juvenil na sociedade brasileira atual, percebe-se que esse ideal literário está próximo da realidade nacional. Nesse sentido, é fundamental entender as causas do problema, a fim de prevenir a situação.
Em primeira instância, é preciso analisar como a padronização, imposta pela sociedade moderna, ocasiona entraves ao processo de prevenção ao suicídio entre os jovens do país. Atualmente, criou-se uma ditadura da felicidade, na qual sentimentos humanos elementares, como a angústia e a tristeza, são repelidos, sendo, inclusive, passíveis de medicalização. Desse modo, a mentalidade simplista de tratar as emoções com medicamentos reflete o desinteresse da comunidade médica em discutir e tratar as causa do autocídio na menor idade, fato que contribui para o silenciamento do assunto. Sob essa ótica, o sociólogo Émile Durkheim expõe que o suicídio é resultado do meio que circunda o ser, sendo potencializado pelo tabu e pelos estereótipos associados à problemática.
De fato, são ínfimos os programas televisivos que retratam a autoviolação, uma vez que, ainda, a mídia possui receio do “Efeito Werther”, isto é, medo de que, ao falar do assunto, possa desencadear reações de autoviolência por comportamentos miméticos. Outrossim, o suicídio é abordado com displicência na comunidade, fato o qual corrobora para a banalização e para o descaso da situação, dificultando inúmeros adolescentes a buscarem assistência profissional. Tal fenômeno é alarmante no Brasil, haja vista que 90% dos casos de suicídio podem ser evitados quando há oferta de auxílio, segundo a OMS.
Dessa maneira, é dever da mídia promover a desmistificação do autocídio, por meio de novelas, documentários e reportagens, os quais retratem, de maneira fidedigna, a seriedade das doenças psicossociais, com o intuito de reduzir os estereótipos e o silêncio em relação ao assunto a fim de estimular os jovens a procurarem auxílio médico. É também, papel das instituições educacionais, em conjunto com o Ministério da Saúde, minimizar o suicídio na menor idade, por meio da promoção de campanhas de prevenção direcionadas ao público juvenil, além de contratar profissionais especializados, os quais ofereçam suporte, com o objetivo de ofertar o tratamento adequado, garantindo as integridades físicas e psicológicas dos jovens.