Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 30/10/2020
O contexto da música da cantora Billie Eilish, “listen before I go”, narra uma história de uma jovem suicida despedindo-se de seus entes queridos. Visto isso, o número de jovens brasileiros com doenças psíquicas tem aumentado e, consequentemente, o número de suicídios potencializados por estas também. Sob essa óptica, faz-se imperioso apontar não apenas o lado negativo do uso das redes sociais, mas também a negligência de instituições de ensino debater sobre o pertinente problema.
Sob essa análise, “evito as redes sociais pelo mesma razão que evito as drogas” é uma das célebres frases de pai da inteligência virtual, Jaron Lanier, em que critica o lado negativo da internet. Hodiernamente, as redes sociais têm sido matriz de doenças psíquicas, como a depressão, atingindo, principalmente, jovens influenciadores digitais. Paradoxalmente, o século XXI é considerado como o “século da comunicação”, porém a nova geração vive cada vez isolada socialmente, vislumbrada com o consumo e artificialidade. O desejo de likes no “Instagram” tem levado “influencers” a sentirem-se transtornados, alimentando cada vez mais uma potencial doença mental. Outrossim, é importante salientar a “cultura de cancelamento”, ação de violência virtual sistemática contra algum famoso em redes sociais, que já causou diversos distúrbios que podem acarretar no suicídio de jovens midiáticos.
Nesse tocante, instituições de ensino negligenciam debates sobre suicídio, apesar de grande parte da construção social de adolescentes e crianças serem formadas nessas. Ademais, o “Setembro Amarelo”, mês criado como forma de combate ao suicídio, tem-se mostrado ineficaz e hipócrita diante dos alarmantes e crescentes dados de jovens que tiram a própria vida. No que tange a esse infortúnio, o bullying é uma das principais matrizes de doenças psíquicas, como explicado no livro “Os 13 porquês”, em que a protagonista Hannah comete suicídio em razão da depressão potencializada pelo bullying escolar. Em face disso, a falta de diálogo entre pais, professores e alunos é um dos principais erros cometidos por instituições de ensino, visto que o assunto é deixado em segundo plano.
Assim, cabe as mídias digitais divulgarem e ensinarem sobre o suicídio em plataformas populares, como o “Instagram”, com o fito de conscientizar seus usuários a buscar tratamento de doenças mentais, desconstruindo a “cultura do cancelamento” entre jovens famosos. Ainda, é importante que o Ministério da Educação, atrelado ao Ministério da Saúde, promover um destaque de investimentos para o tratamento de doenças psicológicas em crianças e adolescentes, por meio de palestras incentivadoras em ambientes escolares, com o objetivo de influenciar o debate sobre o tema não apenas no “Setembro Amarelo”, mas regularmente, e evitar mais suicídios entre os jovens. Assim, o tema da música de Billie Eilish pode ficar apenas em seus discos soturnos.