Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 25/10/2020

Embora apresentada em 428 a.C., a tragédia grega “Hipólito”, de Eurípedes, por meio da personagem Fedra, mulher apaixonada, já abordava uma das maiores causas atuais de mortes de jovens no Brasil: o suicídio. A falta de um lugar no qual a adolescente possa de definir e se reconhecer como sujeito, tanto na família quanto na sociedade, releva um sério problema de saúde pública, pois se configura em um assassinato em que vítima e agressor são a mesma pessoa. Por trás do comportamento suicida, há uma combinação de fatores socioculturais que, embaralhados, culminam numa manifestação exacerbada contra si mesmo.

De início, segundo o Departamento de Saúde Mental e Medicina Legal da Universidade Federal de Goiás, a família representa a condição necessária para o crescimento e desenvolvimento de vínculos que garantam a sobrevivência física, social e afetiva das pessoas. Contudo, o contexto familiar é considerado fator desencadeante para a tentativa de suicídio. Perdas de vínculos afetivos, violência doméstica ou doenças mental ou física colocam o adolescente em situação de vulnerabilidade. O jovem tende a ser contestador, impetuoso e, ao mesmo tempo, imaturo e inseguro ao se deparar com novas visões da família e da sociedade, visto que na adolescência a busca de referência constitui uma forte razão para a existência.

Além disso, e escola pode se tornar um cenário favorável no que se refere ao fortalecimento do comportamento suicida. O “bullying”, problema mundial encontrado em qualquer escola, está por trás de muitas tentativas de suicídio entre adolescentes. Conforme a Psicologia de Desenvolvimento, o jovem é influenciado facilmente pelas opiniões alheias e, nesta tentativa de de encaixar, passar a agir de forma inconstante. No estágio em que se adquire uma identidade psicossocial, se as questões não forem bem resolvidas, o adolescente não reconhece sua identidade  e seu papel no mundo e busca um referencial que dê sentido a seu existir, o que configura as obras utrarromânticas, marcadas por dor, frustração, tédio, evasão da realidade e desejo pela morte.

Portanto, é preciso findar os entraves dos caminhos da prevenção ao suicídio entre jovens brasileiros. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, criarem um Centro de Controle e Prevenção ao Suicídio (CCPS). Esse novo órgão terá como função principal, ministrar cursos gratuitos e palestras sobre a temática e identificar os fatores de risco entre os adolescentes, com a abertura para o diálogo entre eles, pais e professores sobre a importância da autoestima e o valor da vida. Ao vislumbrar possibilidades do existir, o CCPS terá cumprido sua missão que será: prevenir esse mal do século que tanto assola a juventude.