Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 28/10/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o suicídio entre os jovens brasileiros tem se tornado um grave obstáculo, o qual dificulta a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto de alterações psicológicas, quanto da banalização da temática. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento do corpo social. Cabe mencionar, em primeira instância, as mudanças psíquicas como ponto relevante à temática. Conforme o psiquiatra brasileiro Augusto Cury, o suicida não quer acabar com a vida, mas com a dor. Nesse sentido, verifica-se que que o aumento do número de suicídio entre os jovens brasileiros está fortemente atrelado às transformações da psique -como a ansiedade e a depressão-, o que faz com que o jovem não enxergue outra alternativa para acabar com o seu sofrimento, a não ser a tirada da própria vida. Esse cenário preocupante é refletido nos dados, obtidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam as doenças psicológicas como principal causa de suicídio entre jovens entre 15 a 29 anos.

Vale ressaltar, também, a banalização do assunto como entrave para a resolução da problemática. Quanto a isso, sabe-se que, apesar do adolescente apresentar sinais de comportamento suicida, os próprios familiares não se atentam a essas queixas e, até mesmo, minimizam esses sentimentos. Nessa perspectiva, embora exista o Centro de Valorização da Vida -uma plataforma de apoio emocional-, essa parcela da população é desencorajada a procurar esse tipo de suporte, por achar que seus conflitos sejam algo sem importância. Tudo isso gera uma sensação de desamparo no jovem, levando-o a tomar medidas extremas para a resolução dos seus problemas internos.

Diante dos fatos supracitados, o suicídio entre os jovens brasileiros deve ser enfrentado. Portanto, cabe à Estratégia Saúde da Família, mediante a atuação do Ministério da Saúde, orientar formas de melhorar a receptividade das queixas apresentadas por esse grupo social. Essa medida deve ser efetivada por meio da realização de debates que estimulem o diálogo intrafamiliar acerca da questão, a fim de garantir o apoio necessário aos jovens e, não mais, torná-los vítimas do suicídio. Dessa forma, esse sério problema será atenuado e a coletividade se assemelhará a Utopia de More.