Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/11/2020

O “Setembro Amarelo’ é uma campanha criada em 2014, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), que objetiva conscientizar a população a respeito de um dos principais males do século XXI: o suicídio. No entanto, apesar da maior visibilidade traga pela campanha, o problema do autoextermínio, principalmente entre os jovens brasileiros, ainda constitui um grave problema de saúde pública. Com efeito, a fim de reverter essa atmosfera preocupante, hão de ser combatidos a falta de informação e a pressão social como catalisadores dessa problemática.

Sob uma primeira análise, a ausência de informações contribui na perpetuação de uma “realidade suicida”. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da violência autodirigida é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social incapaz de abordar essa problemática, não é razoável que a ajuda a pessoas com pensamentos suicidas seja negligenciada e, portanto, abolida do debate público. Dessa maneira, enquanto não houver uma atmosfera de amparo para com esses indivíduos, em especial os jovens, essa realidade caótica será eternizada.

Além disso, a pressão da sociedade agrava esse problema. Segundo o filósofo Byung Chul- Han, as sociedades pós-capitalistas tendem a exigir que todos os indivíduos entrem em um padrão tanto físico, quanto profissional. No entanto, quando o jovem não alcança esse “padrão” imposto, ele entra em um estado de frustração, o que acarreta o surgimento de problemas psicológicos, como a ansiedade e a depressão, e, posteriormente, pode evoluir para a tentativa de suicídio. Tal fato pode ser provado pelos dados do Sistema de Informação de Suicídio de 2017, que diz que o a violência autodirigida é a terceira maior causa de morte entre os jovens no Brasil. Ora, esse problema alarmante de saúde deve ser combatido urgentemente.

Impende, pois, que o problema do autoextermínio deve ser revertido. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde – instância máxima da hierarquia de saúde pública do país – ampliar as campanhas nacionais de combate ao suicídio, por meio do compartilhamento de informações e estímulo a prevenção, já que é fundamental conhecer as causas e as principais formas de ajudar, para que haja uma interrupção no ciclo de autodestruição entre os jovens brasileiros. Dessa forma, o objetivo inicial do “Setembro Amarelo” seja efetivamente alcançado.