Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 07/11/2020

No quadro “Relatividade” de Escher, apresenta-se um cenário que pode ser alterado de acordo com a visão do observador, é relativo. Em sociedade ocorre algo semelhante, ao se analisar a temática suicídio a visão de quem o pratica difere de quem o observa, caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil são necessários para maior compreensão e redução. Dado o exposto , é importante pontuar os fatores contribuintes à situação problemática, sendo os principais: uma esfera governamental que trata o fato como tabu e um corpo social silencioso.

Nesse sentido, a priori, o Estado se faz indiferente a respeito da problemática. Na ótica do sociólogo Émile Durkheim o individuo se mata para parar de sofrer. Jogando-se luz na sociedade, tal pensamento é uma constatação, uma vez que sem aparo o sofrimento chega ao seu pico e gera resultados catastróficos, e, apesar de ser um problema de saúde pública, matando cerca de uma pessoa a cada 40 minutos ainda não faz parte de debates sociais e midiáticos, o tabu ainda é nítido e os olhares públicos para a problemática são pequenos e ineficazes. Dessa maneira, soergue- se a continuidade do desamparo.

Outrossim, uma sociedade omissa corrobora para o agravamento da situação. Zigmunt Bauman em sua obra"modernidade liquida" afirma que as relações superficiais estão cada vez mais evidentes. Devido à multitarefas, o aprofundamento, o foco e a capacidade de contemplação são afetados desumanizando os indivíduos e acarretam transtorno psicológicos. Sem aparo social, seja no âmbito familiar, laboral ou escolar a situação se agrava, e a rotina frenética é motivo de aparição de doenças psicológicas que podem levar ao óbito. Na verdade, o amparo é fundamental para a qualidade de vida psicossocial.

Repensar sobre os caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil é, portanto, um tema que não cabe mais protelação. Desse modo, é oportuno considerar dois agentes emergenciais: o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação. Ao primeiro, cabe promover campanhas midiáticas informativas para melhor informar os indivíduos sofre a temática através de vídeos didáticos e acessíveis em plataformas digitais e televisivas, objetivando- se, quebrar o tabu sobre o assunto e ajudar vidas. Ao segundo, cabe implementar psicólogos de plantões em escolas e universidades para auxiliar o aluno na jornada acadêmica a lidar com problemas psicológicos, através de horários marcados e palestras com quem entende do assunto, visa-se desse modo, desmitificar e atenuar a problemática. Assim, apesar da visão de mundo ser relativa, compartilhando situações e pontos de vista quem sofre poderá ser mais compreendido e tratado.