Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 18/11/2020

“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo", disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de saúde mental, o aumento do suicídio entre jovens no Brasil funciona como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como as cobranças excessivas e o uso de redes sociais impedem a limpeza completa do grande oceano chamado sociedade.

Em primeira análise, as cobranças em excesso pelos pais, pelo coletivo e pelo próprio indivíduo apresentam-se como um dos desafios para a resolução do problema. Nesse sentido, os jovens brasileiros estão numa fase da vida em que ocorrem muitas mudanças, como relacionamentos interpessoais, procura de um emprego e, até mesmo, a busca por uma identidade social, sua forma de agir. Nesse viés, eles são cobrados pela família e pelo corpo social em si sobre assuntos, como profissão e trabalho, gerando ansiedade e insegurança, pois aqueles precisam demonstrar certeza e perfeição sobre os atos e o futuro quando apenas possuem incertezas sobre suas ações. Nesse aspecto, é evidente a carestia de meios que mostrem para os jovens e os familiares que se deve incentivar mais do que cobrar resultados, e isso acarreta, em últimos casos, no suicídio, principalmente, nessa faixa etária de transição do dependente para o independente, demonstrado pelo Ministério da Saúde em que a taxa de suicídio aumentou quase 30% entre jovens de 15 a 29 anos, mostrando que o assunto deve ser debatido para diminuir esse mal comum a todos.

Em segunda instância, as redes sociais mostram-se como outro fator que piora a saúde mental no país. Nesse âmbito, o constante avanço das tecnologias, como a internet, tem proporcionado benefícios, por exemplo a conexão ampla entre pessoas, mas também malefícios: o comércio das ilusões nas redes sociais. Essa atividade ilusória consiste nas pessoais que não mostram como realmente são para as outras no mundo digital, aumentando casos de indivíduos que querem se comparar com vidas luxuosas e perfeitas mostradas virtualmente, proporcionando o estresse e a depressão – tristeza profunda - que se agravados podem ser fatais. Segundo a BBC Brasil, a taxa de suicídio na população brasileira aumentou 60% desde 1980, evidenciando que o número de casos de mortes é paralelo aos anos de avanço das tecnologias de interações virtuais, amplamente disseminadas por volta dos anos 80 até a atualidade, mostrando que o tema deve ser discutido para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Portanto, medidas são necessárias para prevenir o suicídio no Brasil. Por conseguinte, cabe a escola proporcionar palestras ministradas por psicólogos em ginásios das próprias instituições, com o “slogan”: “Ajude, não cobre”. Esse projeto pode ser feito por meio de um diálogo entre o público presente e o especialista, a fim de que se explique a importância de que os pais presentes não cobrem resultados dos filhos referentes à situações sociais, de modo que o jovem não fique estressado, resultando na diminuição de suicídios por cobranças de perfeição. Por outro lado, o Ministério da Saúde deve promover uma campanha de conscientização para reduzir o número de pessoas viciadas em meios digitais, como as redes sociais, com o título: “impeça o vício”. Esse ato pode se realizar por meio de colagem de cartazes pela cidade, objetivando influenciar as pessoas sobre os perigos que a internet traz para a saúde mental, como exemplo o suicídio, tendo como resultado uma população informada e preocupada com a solução do problema. Dessa forma, a limpeza do grande oceano, a fé na humanidade e a prevenção correta do suicídio tornar-se-ão destinos certos.