Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 16/11/2020

Em 2014, cerca de três mil estudantes perderam as suas vidas ao cometer suicídio e esse índice tende a aumentar nos próximos anos caso não haja medidas preventivas eficazes, segundo dados da BBC. Esse fato demonstra a fragilidade das instituições públicas, o qual, por não somente apoiar a propagação de informação, mas também por não introduzir a matéria Saúde nas escolas, gera o principal problema do país: reprodução do tabu que forma silenciamento do suicídio. Assim, observa-se a necessidade de analisar os avanços e os desafios para uma possível solução da problemática.

A princípio, vale ressaltar o progresso histórico obtido na luta para garantir o direito à vida. Nesse sentido, Mário de Andrade, importante poeta brasileiro, afirmava que ‘‘O passado é lição para se meditar, não para se reproduzir’’. Tal assertiva faz referência à Segunda Geração Romântica, a qual caracteriza-se por ter parte da população europeia cometendo suicídio por medo da contaminação da doença Peste Negra e ausência de informação e de orientação por parte do governo. Por tudo isso, a Constituição brasileira de 1988 determinou que é dever do poder público propor medidas de prevenção, como se observa no Setembro Amarelo: data dedicada para alertar, divulgar informação, cuidar e conscientizar os habitantes sobre o suicídio.

Não obstante, é indispensável destacar os obstáculos enfrentados no combate ao suicídio. Nessa lógica, semelhante aos dados de 2014, imúmeros jovens alegam que a ausência de informação sobre mutilação é acompanhada pela falta de locais de acolhimento. Isso ocorre por conta da pouca propaganda direcionada a ressaltar a importância do Centro de Valorização da Vida, CVV, cuja função é fornecer anonimamente acompanhamento voluntário de psicólogos para jovens que visam se mutilar. Ainda, é importante evidenciar que a não introdução da matéria Saúde na grade curricular prejudica o aprofundamento da discussão sobre os fatores e as prevenções contra o suicídio, pois permanece entre os estudantes a ideia de que discutir sobre a mutilação contribui para o aumento de sua prática.

Depreende-se, portanto, que ações contra o suicídio devem ser imediatamente iniciadas. Para tanto, cabe às ONGs utilizar as redes sociais para divulgar informações acerca do CVV e de suas ferramentas no combate ao suicídio, por meio de propagandas, a fim de aumentar a sua adesão e seu reconhecimento entre os jovens. Ainda, cabe ao cidadão compartilhar na internet dados sobre a mutilação e as informações divulgadas pelas ONGs, com vistas a expandir o conhecimento sobre o suicídio. Ademais, o Ministério da Educação deve discutir o processo de suicídio entre os estudantes e profissionais da saúde nas escolas, a partir da introdução da matéria Saúde na grade curricular, com o intuito de minimizar tabus capazes de ocultar os índices de suicídio entre os jovens.