Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 17/11/2020

A obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, retrata uma esfera social ideal, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e obstáculos. Entretanto, no panorama vigente, é observável a anulação dos princípios reverberados por More, uma vez que a sociedade enfrenta índices alarmantes de suicídio entre os jovens no Brasil. Nesse sentido, convém uma análise tanto dos problemas familiares, quanto da ineficácia da legislação brasileira nos âmbitos escolares. Desse modo, faz-se necessário analisar as causas que contribuem para a continuidade da problemática em território pátrio.

Em primeiro plano, a Constituição Federal de 1988 garante, na teoria, a saúde íntegra como direito de todos. Entretanto, a proposta da Carta Magna está distante de ser realidade, posto que observa-se a ineficácia estatal relacionada à saúde nas instituições de ensino, destacada pela falta de políticas públicas pautadas para o combate do exposto. Nesse ínterim, percebe-se que a grave ameaça à vida dos indivíduos, visto que o déficit de programas de orientações psicológicas nas escolas, ministrados por profissionais qualificados, tem contribuído para a persistência dos elevados casos de automutilações e autocídio. Paralelamente a isso, o sociólogo Júlio Jacobo, criador do Mapa de Violência, afirma que a taxa de autoquiria aumentou 60% desde 1980.

Em segundo plano, é fulcral pontuar que a música “pais e filhos”, da Banda Legião Urbana, retrata uma relação incompatível de uma garota com seus genitores, corroborando com sua morte, evidenciada na parte: “ela se jogou na janela do quinto andar”. Com efeito, verifica-se que a autodestruição por divergências familiares tem se materializado na conjuntura hodierna, haja vista que muitos jovens se encontram em condições psicológicas vulneráveis e estressantes, em virtude da forte pressão sobre futuro acadêmico e da tendência dos pais de projetarem a vida do filho. Por consequência, esse paradigma acarreta a depressão numerosa de adolescentes, devido a solidão que vivem. Dessa forma, a prática do suicídio torna-se uma fonte de escape da contemporaneidade.

Evidencia-se, portanto, que medidas devem ser tomadas com o objetivo de prevenir e combater o suicídio entre os jovens. Para isso, o Ministério da Saúde deve, através de verbas governamentais, criar programas preventivos para intervir nos jovens que possuem pré-disposição ao autocídio, inserindo médicos especializados psiquiatria e psicólogos nas escolas- com a finalidade de potencializar os cuidados mentais dos adolescentes, combatendo o paradigma em questão-. Além disso, é inerente às famílias a inserção do diálogo com os  púberes, buscando compreender suas limitações e fortalecer os laços, eliminando os conflitos internos. Por fim, haverá o ambiente idealizado por Thomas More.