Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 15/11/2020
O “Mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma implicação no que diz respeito aos caminhos para prevenção do suicídio entre os jovens. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar fatores como a transição tardia da mentalidade social e a invisibilização da má influência midiática, além de explorar condutas conscientes por todas as classes sociais, profissionais e econômicas do Brasil.
A princípio, considerando a contínua taxa de suicídio na faixa etária juvenil refletida por intelectos societários discrepantes, deve-se destacar a necessidade de um maior engajamento sociocultural. Nesse sentido, observa-se que, diante de fatores psicológicos, do sistema excludente fixado no país e, em particular, do cenário econômico instável, é inegável a frequência gradativa da juventude, por não cultivarem expectativa e planejamento futurista diante das inúmeras hostilidades atuais, cometerem suicídio. Afinal, segundo a OMS, a saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência da doença visível.
Outrossim, essa temática remete a um silenciamento das tendências suicidas, seja por distorções das concepções representativas ou pelo culto nocivo de aparências padronizadas, como produto da manipulação da mídia e das esferas comunicativas. Sob essa lógica, Malala Yousafzai, ativista paquistanesa, disse: “Percebemos a importância da nossa voz quando somos silenciados”. Desse modo, é preciso estar atento ao fato de que, além de suprimir o contexto social intolerante, disseminar de forma presente e virtual a necessidade do respeito entre as discordâncias e da percepção de qualquer manifestação suicida ou de desequilíbrio emocional requerem atenção responsável de todos os envolvidos nas dinâmicas diárias, clínicas e educativas.
Portanto, mais do que um tema pertinente, os caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil apresentam grandes objeções. Para que avancem, o Ministério da Saúde, como setor de Estado responsável pela manutenção da saúde pública brasileira, deve propagar a utilidade do debate socioafetivo, da livre circulação de pensamentos e, sobretudo, da superação e busca por forças construtivas. Para tanto, por meio da valorização e capacitação de profissionais, tais como psicólogos e psiquiatras, bem como da acessibilidade de exposições públicas acerca da luta contra o suicídio, a fim de assegurar um pluralismo de vida e empatia coletiva. Ademais, a própria sociedade civil e a mídia devem agir segundo a máxima que gostariam de ver modificada em lei por intermédio de princípios integradores, propiciando, de fato, reduções graduais do suicídio na juventude.