Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 27/11/2020
O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das ciências da natureza, no que concerne ao suicídio entre os jovens no Brasil, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no que tange a essa questão, que persiste sendo influenciado pela falta de políticas publicas de saúde e a superação do paradigma da saúde mental como sendo um tabu.
Em primeira análise, vale ressaltar que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 60% dos jovens que cometem suicídio são negros. Ou seja, como no Brasil os negros estão historicamente ligados à pobreza, pode-se dizer que existe um fator social que corrobora a incidência de autocídio de adolescentes no país. Contudo, mesmo com números alarmantes, ainda faltam políticas publicas de qualidade para atuar sobre esse desafio. Ademais, dadas as descontinuidades dos programas governamentais de saúde públicas voltadas para os comprometimentos psíquicos, a vulnerabilidade dessas pessoas tendem a ser atenuadas. Esses elementos reforçam diretamente o aumento do número de casos não tratados e que, como consequência, aumentam os índices de mortes.
Além disso, outro aspecto importante que deve ser elucidado é como o tema saúde mental é visto como tabu na sociedade, em especial nas classes médias e populares. Logo, construiu-se uma noção ao longo dos anos de que quem procura terapia, ou qualquer outra ajuda profissional do campo da psique humana, é “maluco ou desajustado”. Essa ideia foi consolidada no século XIX, em que tratamentos dessa ordem eram feitos com base na reclusão, medicações e terapias que muito se assemelham ao que se conhece como tortura. Portanto, embora o tratamento tenha avançado e se aperfeiçoado, em decorrência dessa memória social, quem precisa de auxílio para lidar com esse tipo de demanda, tem receio de verbalizar e procurar profissionais habilitados.
Em virtude dos fatos mencionados, nota-se que medidas precisam ser tomadas para que a problemática seja tratada como uma questão de Estado, e não de governo. Nesse sentido, cabe ao Ministério Público garantir o cumprimento de medidas e leis que assegurem o bem estar social, em especial à parcela mais vulnerável e propensa ao suicídio. Concomitantemente, o Ministério da Saúde, em parceria com estados e municípios, deve promover ações que difundam a informação acerca do tema tratado nesta redação, com o fito de desmistificar preconceitos, além de construir uma rede de acolhimento capacitado para lidar coma saúde mental da população brasileira.