Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/11/2020

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, na sua obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, ironiza seus fracassos ratificando que a vida é mesmo uma miséria e não vale a pena perpetuá-la através dos filhos. Talvez, hoje, ele compreendesse acertado seus julgamentos, visto que, a atitude de muitos brasileiros diante a falta de iniciativa para prevenção de suicídios é uma das faces mais perversas de uma sociedade em progresso. Com isso, surge a problemática de visões pessimistas e carentes de possíveis soluções, uma realidade vivenciada especialmente pelos jovens brasileiros, permanecendo assim, um assunto intrinsecamente associado à realidade do país, seja pela ausência de comunicação com pessoas adeptas a ajudar, seja pela omissão de esclarecimentos e de possíveis transtornos mentais, originando um tabu no corpo social.

Em uma primeira constatação, é fato que os casos de suicídio é uma adversidade que perdura desde o século XIX, e que a cada ano aumenta o percentual de notificações, principalmente na população entre 15 a 29 anos. No entanto, a inexistência de canais voluntários e rodas de conversas com a intenção de prevenir o problema, ainda é uma lacuna na sociedade brasileira. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) é possível prevenir 90% dos casos, dessa forma, nota-se que discutir o problema é uma boa forma para combate-lo. “venha desce daí, deixa eu te levar para um café, pra conversar te ouvir e tentar te convencer”, esse trecho pertence a uma música da banda Supercombo, e faz analogia a falta de diálogo e convencimentos entre vítimas e possíveis voluntários. Assim, torna-se inadmissível que a escassez de comunicação permaneça sendo uma das causas que levam as pessoas a cometerem tal ato.

Outro ponto relevante é o silêncio mantido pelas pessoas diante do cenário, originando um desconhecimento sobre o assunto supracitado, e fazendo com que diversos casos tornem-se imperceptíveis. Em uma manchete no jornal Folha de São Paulo, psicólogos e psicopedagogos relatam que “há uma onda crescente de frustração e depressão entre jovens e crianças”, um grande percentual de casos têm-se como sinais a presença de transtornos mentais, porém, a minoria destes buscam atendimentos eficazes, resultando em um elevado número de casos que poderiam ter sido evitados.

Logo, medidas estratégicas são fundamentais para modificar esse cenário. Para que isso ocorra, o Governo Federal, no papel do Ministério da Saúde e em parceria com os meios midiáticos, necessitam realizar campanhas comunitárias, para que possam alcançar sobretudo os jovens e incentiva-los a buscar ajuda, como também esclarecer para a população quando oferecer ajuda e como ajuda-lo, além disso, devem criar canais de ligação com profissionais adequados, a fim de encontrar soluções para os