Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 24/11/2020

Em 1994, Mike Emme - rapaz norte-americano de apenas 17 anos- tirou a própria vida e motivou o início de uma das campanhas mais importantes para a sociedade: o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio. Todavia, o combate ao problema não se mostra efetivo no Brasil, o que faz surgir, a cada dia, outros “mikes”, seja pela inabilidade social em discutir acerca do suicídio, seja pelo descaso com os transtornos mentais daqueles que buscam a morte voluntária no Brasil.

A princípio, é fulcral pontuar que a inércia social, no que concerne à prevenção do suicídio, inviabiliza

a luta contra essa enfermidade. A esse respeito, o sociólogo Talcott Parsons, em sua obra “A estrutura da ação social”, defende que as discussões sobre as problemáticas que rodeiam a sociedade, impedem que as mesmas cresçam em escala exponencial. Nesse contexto, é fundamental que a família e a esfera educativa trabalhem em conjunto no combate a banalização dos transtornos mentais, bem como na desconstrução do ideário, irracional, dos indivíduos que não enxergam a gravidade do suicídio e dos fatores - bullying, pressões sociais e preconceito- que o incentivam. Desse modo, não é coerente que os brasileiros menosprezem a prática suicida e sejam omissos aos comportamentos que a revelam.

De outra parte, é válido salientar que o descaso com as doenças psiquiátricas dá lugar à busca pela morte voluntária. Sob essa ótica, no século XVIII, o suicídio passou a ser tratado como uma atitude derivada de distúrbios mentais, como a depressão. Nesse sentido, o médico francês Phillipe Pinel foi pioneiro ao propor o tratamento medicalizado daqueles que tentam subtrair a própria vida. Entretanto, substancial parcela dos brasileiros se mostra indiferente aos avanços da psiquiatria, promovidos no século XVIII. Essa atitude omissa representa um obstáculo para que a campanha do  Setembro Amarelo cumpra seus objetivos. Como resultado, enquanto a negligência da sociedade se mantiver, o mundo será obrigado a conviver com o mal da contemporaneidade: o suicídio.

Infere-se, portanto, que o problema que ceifou a vida de Mike Emme precisa receber a devida importância no Brasil. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação, em consonância com o Ministério da Saúde, deve descontruir a visão banalizada do suicídio e dar mais visibilidade aos distúrbios mentais. Essa iniciativa  aconteceria por meio de um projeto pedagógico que poderia se chamar “Cada vida conta”, no qual os indivíduos seriam estimulados a compartilhas suas angústias, a fim de receber o tratamento adequado e sanar qualquer anseio pelo suicídio. Por conseguinte, será possível reduzir os índices de suicídio e retornar, com êxito, o desejo pela vida.