Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/12/2020

A série “13 Reasons Why”, da Netflix, conta a história da adolescente Hanna Baker, que após sofrer diversos abusos morais na escola, retira a própria vida como forma de manifestar seu sofrimento interior. Fora da ficção, a realidade não é tão distante, pois no Brasil o índice de suicídio entre os jovens, lamentavelmente, tem adquirido enormes proporções. Dessa forma, urge que caminhos sejam traçados para se evitar esse grave problema. Entre eles, destacam-se o combate ao bullying e a conscientização familiar.

Primeiramente, é importante pontuar que o assédio moral em suas variadas formas, seja por meio da humilhação, constrangimento, ou até mesmo agressões físicas, é um dos principais responsáveis por levar a vítima a um estado de anomia social, assim como na série. Nessa lógica, o jovem oprimido tende a se isolar da sociedade e, com isso, desenvolver sérios problemas psicológicos, como a depressão - doença que mais leva o cidadão a própria morte. Isso é afirmado segundo dados do Jornal Estadão, os quais afirmam que 90% dos padecentes que põem fim a própria vida possuem algum tipo de transtorno mental, seja ele depressivo ou bipolar. Nessa esteira, é indubitável que as práticas de bullying são obstáculos a serem combatidos no caminho contra o suicídio entre os jovens.

Além disso, o ambiente familiar é um imprescindível meio de apoio ao indivíduo com tendências autocidas. Nesse contexto, segundo o sociólogo Max Weber, pessoas próximas têm grande poder de influência sobre o comportamento de um cidadão. Nessa perspectiva, percebe-se que a conscientização da família a cerca dessa problemática funciona como um grande instrumento na prevenção desses atos, uma vez que, nesse ambiente, eles podem agir na prevenção e influência no comportamento dos jovens, de modo a não negligenciar possíveis “sintomas” de anomia, bem como servir de amparo às pessoas com algum transtorno psicológico, por exemplo, a depressão.

Infere-se, portanto, que medidas exequíveis são necessárias como o caminho para se antever essa nociva conjuntura. Para tanto, a fim de combater o crescente índice de suicídio entre os mais novos, além de estimular a conscientização familiar sobre os modos mais adequados de lidar com essa questão, urge que o Governo Federal juntamente com as instituições de ensino, por meio dos impostos arrecadados, financie a realização de um projeto pedagógico sobre a relevância do combate a atos de assédio moral, para ser efetuado nas escolas, o qual deve integrar atividades lúdicas, debates em sala de aula, palestras, além de uma ampla divulgação midiática, para que essa medida também atinja os lares brasileiros. Só assim será possível minimizar esses atos de violência contra si mesmo e, por conseguinte, não permitir que os adolescentes se tornem personagens desse tipo de tragédia.