Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/12/2020

“Veronika decide morrer”

O livro “Veronika decide morrer”, do escritor Paulo Coelho, relata a história de uma jovem de 24 anos que questiona o significado da vida e então decide tomar remédios com a intenção de retirar a própria vida. Nesse contexto, esta obra dialoga diretamente com a realidade atual, inúmeros casos semelhantes se propagam na sociedade brasileira, principalmente entre o público mais jovem. Logo, há ainda diversos obstáculos que impendem o total entendimento diante o assunto, centrado em uma ideologia rigorosa e arcaica. Diante disso, discursões acerca do suicídio devem ser postas em vigor, a fim de serem devidamente compreendidas e combatidas.

Convém ressaltar, em primeiro plano, que o problema advém, em diversos casos, do meio social. Segundo estudos realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os jovens são vítimas do autocídio e ligam-se a esses números, principalmente, a pressão exercida pela sociedade em impor padrões a eles. Assim, atualmente, as maiores taxas de suicídio encontram-se em países cuja sociedade é baseada em condutas estritamente definidas e rigorosas. Portanto, tal problemática ainda é vista como tabu e sinônimo de loucura, um assunto proibido entre discursões familiares. Mas, as estatística mostram que o assunto precisa ser discutido e a visão arcaica, muitas vezes equivocadas, descontruída.

Outro fator alarmante é a ausência de intervenção familiar. Infelizmente, há pais que não se atentam às ações exercidas pelo próprio filho e são comuns os casos de jovens que se queixam com seus responsáveis sobre insatisfações e lamentos de seu cotidiano, mas o assunto é tido como “frescura” pela família. Segundo o filósofo Spinoza, o suicídio não é um ato de virtude, uma vez que visa destruir a essência humana, porém, pouco tempo depois ele se suicidou, deixando claro que o suicídio não é uma atitude daqueles que o enxergam como certo ou belo e sim como a única alternativa encontrada para escapar da dor e do abandono familiar. Nesse sentido, é de extrema importância que tal problemática seja discutida entre os pais, amigos e escola.

Portanto, é mister que órgãos responsáveis tomem providências para amenizar o quadro atual. Desse modo, urge que o Ministério da Educação promova, por meio de palestras, workshop e oficinas, com a parceria de profissionais qualificados, debates acerca do assunto de forma responsável e social, visando a sua prevenção. As escolas podem incluir em sua grade curricular o tema do autocídio, de modo que o assunto passe de ser visto como tabu e seja encarado como um problema de saúde que precisa de cuidados. Só assim o Brasil se tornaria um país no qual Veronika viveria.