Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/12/2020

No livro “A Revolução de Atlas” de Ayn Rand, é retratado um mundo distópico em que um Estado burocrático corrompe a legislação vigente, além de restringir a liberdade individual e a ambição dos cidadãos. Nesse sentido, a narrativa foca em um dos personagens da obra - Henry Rearden - um empresário industrila sobrecarregado e pressionado pelo trabalho, além de depressivo e melancólico, que isola-se do convívio familiar por não encaixar-se no âmbito social. Fora da fiçção, é fato que a realidade apresentada por Rand pode ser relacionada ao contexto de depressão da juventudade brasileira hodiernamente, haja vista a desordem social, bem como a modernidade líquida.

Em primeira análise, para entender a relevância do tema, é fundamental compreender a relação entre a desorganização social e a depressão. De acordo com o sociólogo francês Émile Dukrheim, a anomia social é a ausência das normas em relação ao indivíduo, em que a desregulação das regras e o sentimento de distanciamento comunitário podem proporcionar enfermidades psicológicas e ao suicídio. Diante de tal contexto, é essencial analisar a anormalidade coletiva e a exclusão social, visto que esses efeitos corroboram para uma sociedade anômica e enferma, prejudicando os jovens com possíveis doenças - como depressão e ansiedade- que acarretam o quadro de autocídio.

Faz-se mister, ainda, salientar a liquidez dos vínculos sociais como impulsionador e agravante ao suicídio de jovens no país. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais é a caracaterística da “modernidade líquida” vivenciada no século XXI, transformando o convívio social em situações voláteis, em que os indivíduos são mais individualistas, abdicando a concepção de bem-estar da coletividade e tornando-se cada vez mais reclusos socialmente. Diante do exposto, a juventude - marcada por essa liquidez - tende a ser mais imediatista, ter medo sobre o futuro, frágeis nos relacionamentos cotidianos e ausentes do ambiente social, como Rearden na obra.

Portanto, é necessário que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Desse modo, urge que o Ministério da Saúde, em junção com o Governo Federal, deve, por meio de verbas governamentais, estabelcer nas instituições escolares, acompanhamento psicológico e profissionais da área para atuarem no combate e tratamento da ansiedade, auxiliando os indivíduos e servindo de apoio aos familiares, a fim de solucionar o quadro em questão. Ademais, cabe também à mídia, como formadora de opinião, promover, por intermédio de propangadas e campanhas, a valorização à vida e o incentivo ao uso do Centro de Valorização da Vida, com o intuito de sanar esse panorama. A partir dessas ações, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do suicídio no país, e a sociedade alcançará o estágio oposto a máxima Baumaniana, contraposta a distopia de Ayn Rand.