Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 06/12/2020

Para o existencialista Albert Camus, responder se a vida vale ou não a pena ser vivida é solucionar à pergunta fundamental da filosofia. Com efeito, nota-se que, no hodierno brasileiro, tal questionamento é presente e, por vezes, atordoador no tecido jovem do Brasil. Tendo em vista que a vulnerabilidade, característica da pouca idade, bem como a ausência de projetos altruístas contra o suicídio que acabam corroborando o autocídio, é relevante traçar caminhos capazes de mitigar tal  problemática.

Em primeiro plano, é pertinente analisar como algumas características juvenis modelam o cenário contemporâneo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a segunda principal causa de morte entre a população de 15 a 29 anos no Brasil. Sob esse viés, é possível enumerar fatores desse estágio da vida que contribuem para o autoextermínio, como: a vulnerabilidade e a inexperiência em reagir a frustrações da existência. Assim sendo, o conjunto desses atributos faz com que muitos jovens não consigam emergir das adversidades e obstáculos existentes e, atordoados pela angústia da não dissolução dos problemas, optam pela fuga deles: o suicídio.

Em segundo plano, a falta de projetos empáticos para com o jovem é fator que dificulta a resolução do problema. Indubitavelmente, a campanha realizada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Setembro Amarelo, figura como expressiva atitude em prol da vida, visto que se trata de um projeto que vai contra o autoextermínio. Entretanto, por se tratar de uma atitude sazonal, propagada nos meios midiáticos no mês de setembro, não enfrenta de modo correto a problemática. Por outro lado, a Samsung realizou um ilustre projeto na Coréia do Sul que, de acordo com o governo sul-coreano, a taxa de mortes por tal fenômeno reduziu em 85%. Em posse disso, é inegável o sucesso do programa, o qual transformou a Ponte Mapo em “Ponte da Vida”, com frases de apoio, como - os melhores momentos estão por vir- entre outras máximas que visam acolher o cidadão que vai de encontro à ponte.

Portanto, fica evidente a necessidade de combater o suicídio entre jovens brasileiros. Para tanto, o poder público, em parceria com psicólogos, deve incluir monitoramento psicológico nas escolas e universidades em todos os estados brasileiros, por meio de debates e jogos, que consigam atender os jovens que buscam respostas para a resolução dos problemas pessoais. Desse modo, com a instalação de profissionais da mente humana elaborando projetos contínuos nas instituições de ensino da nação, com a finalidade de amparar o tecido juvenil e, consequentemente, minimizar o número de suicídios em solo brasileiro, será possível amparar diversos alunos. Logo, com a conquista de programas não somente sazonais, será possível que mais jovens respondam que sim, a vida vale a pena ser vivida.