Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/12/2020

A série de televisão “Os Treze Porquês” conta a história de Hannah Baker, uma adolescente depressiva que acaba cometendo suicídio. Essa temática chama atenção para as altas taxas de suicídio entre jovens no Brasil, quadro grave que não vem sendo combatido de forma efetiva pelas instituições sociais do país. Portanto, se faz necessária a análise das causas desse problema, que tem raízes tanto na carência de debate acerca do assunto, quanto na fragilização das relações sociais na modernidade.

Em primeiro plano, a falta de diálogo sobre saúde mental é um entrave na luta contra o suicídio entre jovens, na medida em que impossibilita a desconstrução de estereótipos sobre esse tema. Tais estereótipos são herança do pensamento cristão medieval, o qual considerava quadros depressivos como preguiça, um pecado capital, tornando o doente vítima de preconceito, e, apesar de essa ideia ter perdido força com o tempo, esse preconceito ainda é alimentado por boa parte da sociedade brasileira. Nesse sentido, o filósofo Sócrates, da Grécia Antiga, apontava a dialética - o debate racional - como a principal forma de produzir conhecimento, portanto, estimular a discussão do assunto na sociedade é essencial para abandonar ideias equivocadas e combater o suicídio de forma eficiente.

Ademais, a vulnerabilização dos laços sociais contribui para o agravamento de transtornos psicológicos e se configura como causa para o suicídio. Nessa lógica, em sua obra “O Suicídio”, o sociólogo Émile Durkheim afirma que as causas para tal atitude sempre decorrem do desequilíbrio nas relações entre o indivíduo e a sociedade. Ainda, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que, na era atual do capitalismo industrial, as relações humanas estão cada vez mais superficiais e frágeis. Dessa forma, unindo os pensamentos de Bauman e Durkheim, conclui-se que a fragilização dos laços humanos provoca desarmonia entre o indivíduo e a sociedade, o que impacta diretamente a saúde mental dos jovens, ainda em seu processo de formação identitária, podendo levá-los ao suicídio.

Sendo assim, é imprescindível que as instituições socias brasileiras, especialmente a escola e a família, atuem em conjunto para mitigar essa problemática. Logo, os espaços de ensino públicos e privados devem promover palestras e debates que tratem sobre saúde mental, prevenção ao suicídio, e inteligência emocional, com o fim de elucidar esses temas e de combater preconceitos em relação a eles. Esses eventos devem contar com a presença não só dos alunos, mas também dos responsáveis, com o objetivo de fortalecer os laços familiares e as relações humanas, além de garantir apoio aos jovens no combate a possíveis transtornos psicológicos. Dessa maneira, será possível progredir na prevenção do suicídio entre os jovens brasileiros.