Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/01/2021

De acordo com o filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau, a natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável. Essa visão é facilmente observada no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, quando  analisada a questão do suicídio entre os jovens brasileiros, tendo em vista que o autocídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 24 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no qual  a população possui uma gritante contribuição  maléfica quanto benéfica. Assim, é lícito afirmar que a postura da sociedade e o individualismo contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.

Na primeira análise, o suicídio denominado egoísta é o mais recorrente entre os jovens tendo como causas prevalecentes o bullyng e a depressão, esse que pode surgir por inúmeros fatores. A depressão tende a isolar  as pessoas do convívio social, portanto, é de extrema importância que a sociedade esteja alerta para isso no ambiente escolar e familiar, pois nos mais graves casos, independente da faixa etária, o suicídio se torna porta de saída para o fim dos problemas enfrentados. Logo, a maneira como o doente é tratado é de fundamental relevância para a eficácia do tratamento, pois com o estado emocional já debilitado, o apoio dos mais próximos gera confiança e persistência na continuação do processo de cura, assim, como o inverso disso gerará malefícios irremediáveis.

Outrossim, o sociólogo Zygmunt Bauman defende na sua obra " Modernidade Líquida “, que o individualismo é uma das principais características de conflito da pós modernidade. Nessa perspectiva, a vida moderna acarretou relações superficiais devido ao pouco tempo de convívio entre os familiares e a preocupação pelos interesses individuais. Sob tal ótica, os jovens perderam a principal referência e o espaço para relatarem seus conflitos e questões pessoais, dessa maneira, ocorre a dispersão no meio familiar e influencia o jovem a desenvolver depressão, solidão e pensamentos suicidas. Desse modo, cabe à família estreitar os laços atendendo às necessidades físicas e emocionais do indivíduo.

Em suma, medidas são necessárias para atenuar a problemática supracitada. Para tanto, urge à instituição familiar o papel intransferível de orientar e atender às nescessidades do jovem, por meio de conversas frequentes tornando o indivíduo livre para compartilhar suas questões pessoais, a fim de restaurar o vínculo familiar e combater o suicídio. Ademais, compete ao Governo Federal investir em campanhas de divulgação contra o suicídio, mediante propagandas na TV aberta e mídias sociais como Facebook, Twitter e Instagram, com vistas a quebrar os preconceitos da sociedade em relação a depressão. Dessa forma, a visão de Rousseau será contornada e a sociedade será aliada da humanidade na solução de seus problemas.