Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 11/01/2021

A Constituição brasileira, promulgada em 1988, determina que todo ser humano, acima de qualquer coisa, deve ter a oportunidade de viver. Fora do âmbito teórico, no entanto, uma parcela da população mais jovem abdica espontaneamente desse direito ao cometer suicídio. Essa realidade, infelizmente, é consequente de uma série de fatores, dentre eles a baixa capacidade pública em conseguir tratar pessoas com esse tipo de tendência e a própria deterioração mental causada pelo meio em que vivem.

Em primeira análise, em seu livro “A República”, o filósofo Platão determina que o ato de governar significa proporcionar o bem-estar máximo de uma população. Todavia, no que tange a efetivar profissionais da saúde mental gratuitamente para todos, o Estado ainda é falho, visto que, várias vezes, regiões de menor relevância ficam carentes nesse setor, pois a motivação financeira acaba por manter esse tipo de serviço nos grandes centros. Nessa lógica, muitos adolescentes, ao sentirem a necessidade de terapia e procurarem ajuda em algum lugar próximo, não a encontram, ou, quando ela existe, está indisponível. Dessa maneira, o jovem, já psicologicamente instável, acaba por se sentir ainda mais desesperado e, em diversos casos, acaba por converter toda essa angústia no ato de remover sua própria existência. Tristemente, essa realidade é confirmada pelos dados oficiais do Governo, que demonstram que, em 2014, cerca de 1 em 18000 jovens cometeu suicídio.

Concomitante a isso, a toxicidade do ambiente em que essa faixa da sociedade pode estar inserida é um problema evidente. Nessa perspectiva, a obra “Os 13 Porquês”, de Jay Asher, a qual relata que uma das razões para que a personagem Hannah tirasse a própria vida foi uma difamação injusta que sofreu, demonstra, com precisão, essa triste realidade. Fora da ficção, esse é o quadro que muitos indivíduos mais sensíveis estão inseridos, já que, por diversos motivos, eles são atacados verbal e fisicamente todos os dias no ambiente em que residem. Por conseguinte, como nada muda, aos poucos a determinação e vontade de viver que possuem é drenada, até que, em algum momento, algum gatilho acaba por fazê-los, de fato, tentarem de qualquer forma encerrar seu sofrimento.

Faz-se necessário, destarte, a reversão desse quadro crítico. Assim, cabe ao Poder Legislativo incentivar, por meio de acordos que ofereçam maiores remunerações , a ida de profissionais da psique para regiões mais interioranas, para atuar nos postos de saúde locais. O Poder Público deve, também, elaborar campanhas que sejam divulgadas na internet e rede nacional que, ao mostrar casos de pessoas que superaram situações de desespero parecidas, incentivem outros indivíduos a buscar tratamento e denunciar seus agressores. Dessa maneira, o Brasil como um todo terá um psicológico mais estável, e, por fim, pessoas como Hannah deixem de existir em todo o país.